Brasília, DF – O Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, formalizou a delegação de competências para a concessão e dispensa da Gratificação Temporária de Execução e Apoio a Atividades Técnicas e Administrativas (GTATA) ao Secretário-Executivo da pasta, Cleber Soares. A portaria, publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (13), autoriza Soares a gerenciar os atos relacionados a essa gratificação, que foi instituída por lei em março deste ano.
A GTATA destina-se a servidores que desempenham atividades técnicas e administrativas essenciais para o funcionamento do ministério, abrangendo áreas como planejamento, orçamento, finanças, gestão de pessoal, contratos, logística, processamento de dados e controle interno. A medida, de caráter estritamente administrativo, está em conformidade com a legislação que prevê a possibilidade de o ministro delegar essa atribuição ao secretário-executivo. Práticas semelhantes já foram observadas em outros ministérios, como o da Saúde, que em julho subdelegou competências similares ao seu secretário-executivo.
A decisão, contudo, ganha relevo ao considerar o contexto atual do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Nos últimos meses, a gestão de André de Paula tem sido marcada por questionamentos sobre sua capacidade de imprimir uma agenda própria e consolidar sua liderança. Fontes do setor do agronegócio, parlamentares, membros do governo e servidores têm relatado uma percepção de perda de protagonismo do MAPA em discussões estratégicas para o desenvolvimento do setor agropecuário, fundamental para a economia de estados amazônicos como Pará (PA) e Tocantins (TO).
Relatos indicam que alguns assessores do ministro teriam assumido um papel centralizador, criando barreiras de acesso a André de Paula. Além disso, observa-se uma concentração de esforços na comunicação política e na proteção da imagem ministerial, em detrimento do avanço em pautas consideradas sensíveis e urgentes para o agronegócio. Essa dinâmica tem gerado um ambiente interno de apreensão e especulações sobre a articulação de poder dentro da pasta.
A atual conjuntura é vista por observadores internos como um reflexo de disputas por influência no MAPA. A permanência de nomes ligados à gestão anterior, sob o comando de Carlos Fávaro, em posições-chave, é apontada como um fator que poderia isolar o atual ministro. Nesse cenário, Cleber Soares se mantém como uma figura central na estrutura administrativa do ministério, desempenhando um papel de articulação e execução de grande importância. Sua atuação no Plano Safra, por exemplo, evidenciou sua relevância na operacionalização das políticas do setor.
A delegação da GTATA, embora formalmente uma atribuição administrativa corriqueira, adquire um significado adicional ao ser conferida a Cleber Soares em um momento de reconfiguração de forças e de busca por consolidação de liderança no MAPA. A eficácia e o impacto dessa delegação na dinâmica interna do ministério e na condução das políticas para o agronegócio, um pilar econômico vital para a Região Norte, permanecem sob observação atenta de todos os envolvidos.
