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Analfabetismo no Brasil: Queda Histórica, Mas Desafios Persistem

Os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025 trazem um fôlego de otimismo ao cenário educacional brasileiro. O país atingiu a menor taxa de analfabetismo desde 2016, com 4,9% da população com 15 anos ou mais de idade sem saber ler e escrever. São 8,4 milhões de brasileiros que, pela primeira vez em anos, não carregam o peso da exclusão imposta pela falta de instrução básica.

Essa redução, de 0,4 ponto percentual em relação a 2024, representa a saída de cerca de 592 mil pessoas do contingente de analfabetos. Ao olharmos para um período mais extenso, a queda é ainda mais notável: em nove anos, o índice caiu de 6,7% para os atuais 4,9%, uma diminuição de 1,8 ponto percentual. Uma conquista que, sem dúvida, merece ser celebrada.

Contudo, como um analista dedicado ao intrincado tabuleiro político e social do Amapá e de seus municípios há três décadas, não posso deixar de notar as nuances e os desafios que ainda se apresentam. A concentração de 57,4% dos analfabetos na Região Nordeste, com 4,8 milhões de pessoas, é um retrato contundente das desigualdades regionais que persistem em nosso país. Em Macapá (AP) e em tantos outros rincões, a luta pela erradicação do analfabetismo ainda é uma batalha árdua, que exige políticas públicas focadas e contínuas.

O perfil do analfabeto brasileiro também revela um ponto crítico: a população idosa. Em 2025, 4,8 milhões de pessoas com 60 anos ou mais compunham o grupo, representando 14,9% dessa faixa etária e 58% do total de analfabetos do país. Essa realidade, somada ao fato de que a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos é quase três vezes superior à de brancos nesse grupo, aponta para um legado histórico de exclusão social e educacional que precisa ser desvendado e combatido com urgência.

A boa notícia é que as gerações mais novas parecem estar escapando desse ciclo. A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 a 59 anos é de apenas 2,6%, indicando um acesso mais amplo à escolarização desde a infância. Essa disparidade, que chega a 11,3 pontos percentuais entre os diferentes grupos etários, reforça a importância de políticas que garantam a permanência de crianças e jovens na escola, ao mesmo tempo em que se investe em programas de alfabetização para adultos e idosos. É um trabalho de duas frentes, que não pode ser negligenciado.

Outro dado relevante é a paridade de gênero. Em 2025, a taxa de analfabetismo entre mulheres (4,6%) foi inferior à dos homens (5,2%). Curiosamente, entre os idosos, essa inversão se consolidou: as mulheres analfabetas representam 13,7% e os homens 14,1%. O IBGE aponta que isso sugere avanços na escolarização feminina, uma reversão do passado onde a desigualdade educacional era um fardo pesado. Em 2025, 59,4% das mulheres com 25 anos ou mais haviam completado a educação básica, contra 55,2% dos homens. Um avanço que, se confirmado em análises mais profundas, é digno de nota e incentivo.

Ainda que os números gerais sejam animadores, é fundamental que a sociedade e os gestores públicos não se acomodem. O analfabetismo, mesmo em seus menores índices históricos, ainda representa uma barreira para o pleno exercício da cidadania e para o desenvolvimento social e econômico. A persistência de focos de analfabetismo, especialmente entre idosos e em regiões historicamente desfavorecidas, exige atenção redobrada. É preciso investigar as causas profundas dessa persistência e traçar estratégias ainda mais eficazes. A informação é a base de qualquer julgamento, e cabe a cada leitor ponderar sobre os avanços e os desafios que ainda temos pela frente na construção de um Brasil verdadeiramente letrado e justo.

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