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Mulheres Negras Lançam Pacto por Representação Política em 2026

Em um cenário político que clama por maior diversidade e equidade, o lançamento do Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026, em Brasília, representa um marco importante. Coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), o documento não é apenas um chamado à ação, mas uma proposta concreta para a construção de um sistema político que coloque a justiça, a equidade, a solidariedade e a dignidade humana no centro das decisões e das políticas públicas.

O manifesto, inspirado em versos que ecoam a luta pela liberdade e emancipação, propõe uma reconfiguração da participação política, onde mulheres negras e pardas sejam vistas não apenas como destinatárias de ações afirmativas, mas como protagonistas com capacidade de gestão e imaginação. A exigência é clara: sua presença em casas legislativas e no executivo deve ser prioridade absoluta.

Isso se torna particularmente relevante quando analisamos o impacto eleitoral. Mulheres negras representam uma parcela significativa do eleitorado brasileiro, e sua mobilização pode ser decisiva. No entanto, a sub-representação em cargos eletivos é um reflexo das desigualdades estruturais que o Brasil carrega desde os tempos da escravidão. Segundo dados do IBGE, em 2022, apenas 2,6% dos parlamentares eleitos em todo o país eram mulheres negras, um número alarmante frente à sua proporção na população.

A diretora do Instituto Akanni, Isabel Faroni, de Porto Alegre (RS), ressalta a importância de amplificar a voz coletiva em defesa das pessoas pretas e pardas. “Precisamos ter voz, sermos ouvidas. O manifesto é uma proposta de sociedade maravilhosa, porque a gente gosta da partilha justa e do cuidado mútuo”, afirma. Essa visão de uma sociedade baseada no cuidado e na partilha justa é fundamental para o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades, especialmente em regiões como a Amazônia Legal.

Na Amazônia, a população negra e indígena, frequentemente marginalizada, enfrenta desafios únicos. A concentração de poder político e econômico em poucas mãos perpetua ciclos de pobreza e exclusão, impactando diretamente a vida das comunidades locais. A falta de representatividade nas instâncias de decisão dificulta a implementação de políticas que atendam às necessidades específicas dessas populações, como o combate ao desmatamento ilegal, a garantia de direitos territoriais e o acesso a serviços básicos de saúde e educação.

Jolúzia Batista, coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), explica que o Pacto do Bem Viver busca a igualdade, justiça e reparação. “É um conjunto de diretrizes para os candidatos e as candidatas e para os governantes, com uma leitura da realidade para que, depois, a gente possa cobrar e também efetivá-las, já olhando para esse lugar da representação política dentro da estrutura do poder”, projeta. Essa abordagem é crucial para assegurar que as políticas públicas sejam desenhadas com uma perspectiva inclusiva e que contemplem as realidades diversas do Brasil, incluindo os nove estados da Amazônia Legal.

A articulação não se limita a um manifesto. Ela tem construído plataformas políticas com propostas concretas para o país, visando ampliar a participação das mulheres negras na agenda pública. Em cidades como Macapá (AP), onde a população negra é expressiva, a demanda por representatividade e por políticas que priorizem o bem-estar coletivo se torna ainda mais urgente. A ausência de vozes negras nos espaços de poder contribui para a perpetuação de problemas sociais e ambientais que afetam desproporcionalmente essas comunidades.

As eleições de 2026 se apresentam como uma oportunidade histórica para que o Pacto do Bem Viver se traduza em ações concretas. A cobrança por candidaturas comprometidas com a justiça racial e social, e a eleição de mulheres negras para cargos de representação, podem ser um passo decisivo para a construção de um Brasil mais justo e equitativo, com especial atenção às populações da Amazônia, que há séculos lutam por reconhecimento e dignidade.

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