PUBLICIDADE

Operação no rio divide opiniões no congresso: debates acirrados

© Lula Marques/Agência Brasil

Parlamentares demonstraram opiniões divergentes sobre a Operação Contenção, realizada pelas forças policiais do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, que tinha como alvo lideranças do Comando Vermelho, resultou na morte de mais de uma centena de pessoas, gerando críticas e defesas acaloradas no Congresso Nacional.

Deputados federais das federações Psol-Rede e PT-PCdoB-PV realizaram uma coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados, onde acusaram o governo fluminense de promover uma “chacina”. Eles exigiram mudanças urgentes na política de segurança pública do estado, considerada por eles como falha e excessivamente violenta.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Reimont (PT-RJ), expressou preocupação com a possibilidade de o número de mortos ser ainda maior, estimando que possa ultrapassar 200. Para ele, a operação configura “a maior chacina do Brasil”, superando até mesmo o Massacre do Carandiru em número de vítimas. O deputado classificou a ação como “uma chacina continuada”, que se repete em outras operações policiais.

A líder do Psol, deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), criticou a “falta de planejamento” e o modelo de enfrentamento adotado pelo governo estadual. Ela questionou a eficácia das ações e defendeu uma nova abordagem para lidar com as organizações criminosas.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou a ação como “a mais letal da história do Rio de Janeiro” e defendeu a aprovação da PEC da Segurança como alternativa para uma política de segurança mais inteligente e eficaz. Ele criticou o governador Cláudio Castro por insistir em um modelo que, segundo ele, prioriza operações de guerra em vez de inteligência e integração.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também se juntou às críticas, afirmando que a política de segurança do governador Cláudio Castro se resume a “chacina”. Para ela, o governo estadual estaria transformando “medo e morte em palanque eleitoral”, e defendeu a necessidade de inteligência e planejamento em vez de operações que “executam o próprio povo”.

Em contrapartida, parlamentares de partidos de direita defenderam a atuação das forças de segurança. O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) argumentou que a operação foi necessária para conter a violência e o avanço do crime organizado.

O deputado Delegado Caveira (PL-PA) apoiou a ação policial e criticou as manifestações contrárias, afirmando que os policiais arriscam suas vidas diariamente no combate ao tráfico. O deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) também defendeu a operação, afirmando que ela foi resultado de “planejamento e coragem”.

Relatos de familiares e lideranças comunitárias indicam que a Operação Contenção teria sido marcada por execuções e torturas. A estratégia da polícia teria sido invadir as comunidades e montar um bloqueio para impedir a fuga dos suspeitos. Os relatos apontam para um confronto violento, com sinais de tortura e execução em diversos corpos resgatados.

Os integrantes da Comissão de Direitos Humanos planejam visitar o Complexo do Alemão, o Instituto Médico-Legal (IML), a Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a Procuradoria-Geral de Justiça do estado para acompanhar as investigações e ouvir familiares das vítimas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE