Brasília, DF – O Instagram se consolidou como o principal palco da disputa eleitoral para deputado federal em 2022, superando veículos tradicionais como rádio e TV até o início do horário eleitoral gratuito. Dados recentes revelam que 5.493 dos 7.679 candidatos declararam possuir contas na plataforma, representando 72% do total, com um expressivo número de 5.973 contas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa concentração digital, contudo, expõe uma disparidade significativa, especialmente para regiões como a Amazônia Legal, onde o acesso e o engajamento nas redes sociais podem ser mais limitados.
O levantamento, que analisou 5.550 contas declaradas ao TSE, aponta o Facebook como a segunda plataforma mais utilizada, com 4.342 contas, seguido pelo TikTok (1.928), YouTube (1.143), X (antigo Twitter, 859), Threads (608), LinkedIn (221) e WhatsApp (142). A predominância do Instagram sugere uma estratégia focada em conteúdo visual e interações rápidas, moldando a comunicação política para um eleitorado cada vez mais digital.
Em termos de alcance partidário, o PL lidera disparado no Instagram, acumulando 110,5 milhões de seguidores distribuídos em 489 contas. Partidos como o PSD (48,5 milhões), MDB (45,3 milhões) e Podemos (41 milhões) também demonstram forte presença. Curiosamente, partidos de esquerda, como o PT, aparecem mais abaixo, com quase 30 milhões de seguidores em 309 contas. Essa distribuição de seguidores evidencia um cenário onde a capacidade de mobilização online varia consideravelmente entre as legendas.
A desigualdade na distribuição de seguidores entre os candidatos é outro ponto crítico. Um grupo seleto de 118 candidatos possui contas com mais de 1 milhão de seguidores, totalizando 289 milhões de seguidores – sem contar usuários únicos. Em contrapartida, a vasta maioria dos candidatos, 2.844 deles, detém contas com menos de 10 mil seguidores. Essa concentração de capital digital nas mãos de poucos pode distorcer o debate público e dificultar a visibilidade de postulantes com menor estrutura de campanha online.
A campanha digital é notavelmente mais intensa nos estados do Sudeste. São Paulo lidera com 196,8 milhões de seguidores em 844 contas. O Rio de Janeiro aparece em seguida com 63,6 milhões de seguidores (567 contas), seguido por Minas Gerais com 61,5 milhões (494 contas). No Nordeste, o Ceará e Pernambuco se destacam. No Centro-Oeste, o Distrito Federal e Goiás apresentam números relevantes.
Para a Amazônia Legal, que abrange nove estados brasileiros e concentra uma população significativa em áreas remotas, essa dependência do Instagram levanta sérias preocupações. A infraestrutura de internet precária em muitas localidades, aliada a um menor acesso a dispositivos modernos e pacotes de dados, pode excluir uma parcela considerável da população do debate eleitoral. Candidatos locais, com orçamentos de campanha frequentemente mais modestos, enfrentam um desafio ainda maior para competir com a visibilidade e o alcance dos candidatos de regiões mais desenvolvidas digitalmente. A falta de acesso equitativo à informação digital pode perpetuar desigualdades históricas e minar a representatividade política das comunidades amazônidas.
A Justiça Eleitoral, por meio do TSE, estabeleceu regras claras para a propaganda online, proibindo propaganda paga, exceto o impulsionamento de conteúdo. A resolução visa coibir abusos e garantir um ambiente mais equilibrado, mas a eficácia dessas medidas em um cenário dominado por grandes players digitais e desigualdades regionais de infraestrutura ainda é um ponto de atenção. A liberdade de expressão online é garantida, mas sua limitação em casos de agressão ou ataque a candidatos é passível de intervenção judicial, um mecanismo essencial para manter a integridade do processo democrático.
