Animais de estimação ganharam espaço e importância nas famílias, circulando livremente pelas casas. Enquanto alguns tutores apreciam essa liberdade, outros se incomodam com a presença dos cães no sofá, seja por questões de higiene, organização ou preocupação com o desenvolvimento de comportamentos de dominância.
O hábito de subir no sofá, muitas vezes, é incentivado involuntariamente pelos próprios tutores, como explica o veterinário Daniel Tozzo. Segundo o especialista, o comportamento se desenvolve no ambiente familiar e é reforçado no dia a dia. “O cachorro sobe porque tem essa possibilidade dentro daquele nicho onde ele vive. Se ele tem permissão, ele aprende a acessar o sofá e isso começa muitas vezes lá na infância, com o próprio tutor pegando o filhote no colo e colocando no sofá.” A genética e fatores aleatórios também influenciam, mas o ambiente é o fator determinante.
O veterinário ressalta que não se trata de um comportamento instintivo, mas sim aprendido. Quando o tutor chama o cão para perto, faz carinho ou interage com ele no sofá, o animal interpreta como um reforço positivo, entendendo que subir ali é vantajoso.
Esse comportamento pode ter diferentes motivações, como conforto, afeto ou até mesmo domínio. Em alguns casos, o cão pode desenvolver um comportamento possessivo em relação ao sofá, impedindo que outras pessoas se aproximem.
Para mudar esse hábito, é fundamental definir regras claras dentro de casa. O cachorro precisa ter um espaço próprio desde o primeiro dia, assim como um bebê. Se o sofá não for permitido, é importante estabelecer essa regra desde o início e supervisionar o animal.
O reforço positivo, quando aplicado corretamente, também pode ser uma ferramenta eficaz. Ao invés de punir o cão por subir no sofá, recompense-o quando ele obedecer a comandos como “senta”, “deita” ou “vai para a caminha”. Isso ajuda o animal a associar a caminha a um lugar positivo e confortável, tornando-a uma alternativa atraente ao sofá.
É essencial controlar o acesso do animal à casa, principalmente quando não houver supervisão. Sem orientação, o cão fará o que quiser.
Recursos como repelentes e capas podem não ser tão eficazes. Repelentes à base de citronela podem causar desconforto, mas não impedem o comportamento. Já as capas protegem o estofado, mas não impedem o acesso do animal.
Punições físicas são inaceitáveis e configuram crime. A punição, no contexto comportamental, significa reduzir um comportamento retirando algo, como atenção ou comida. No entanto, a aplicação correta exige um timing preciso e não pode causar dor ou medo, sendo mais recomendável priorizar o ensino e o reforço positivo.
Passeios regulares são fundamentais para o bem-estar do animal, já que um cão cansado respeita as regras com mais facilidade. Além disso, a busca por orientação profissional é essencial em casos mais complexos, como cães possessivos, ansiosos ou que já têm o hábito de subir no sofá há anos.
Em resumo, para evitar que o cachorro suba no sofá, defina regras claras, controle o ambiente, reforce o comportamento desejado, ofereça um local alternativo confortável, supervisione o animal, evite punições e invista em passeios regulares, buscando ajuda profissional quando necessário.
Fonte: canaldopet.ig.com.br
