A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (8) a Operação Coalizão – COP VIII, desdobramento da Força Integrada III, com foco principal no estado do Pará. A ação, que faz parte de uma grande mobilização nacional contra o crime organizado, cumpre 32 mandados de prisão preventiva e 32 de busca e apreensão expedidos pela Justiça para desarticular facções criminosas envolvidas com tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro na região amazônica.
A ofensiva no Pará, coordenada pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), destaca a importância estratégica do estado nas rotas de atividades ilícitas. A escolha do Pará como um dos alvos centrais da operação reforça a estratégia das forças de segurança em enfraquecer a atuação de grupos criminosos que utilizam a vasta malha fluvial e as estruturas portuárias da Amazônia Legal para suas operações.
De acordo com as investigações da PF, organizações criminosas utilizam os rios amazônicos como principal via para o transporte de entorpecentes, armamentos e valores. Além disso, exploram os portos para o escoamento de cocaína para o mercado internacional e empregam estruturas empresariais para ocultar o dinheiro obtido com atividades ilegais. Essa dinâmica torna o estado um ponto nevrálgico no combate ao crime organizado transnacional.
A Operação Coalizão é uma ação permanente da FICCO/PA, que já está em sua oitava fase, demonstrando a persistência e a necessidade de investigações contínuas para combater as facções. Nas fases anteriores, operações foram realizadas em diversos municípios paraenses, incluindo Belém, Ananindeua, Marituba, Santarém, Abaetetuba, Tucuruí, Itaituba, Óbidos, Juruti, Monte Alegre, Almeirim, Capanema, Muaná, Colares e Santo Antônio do Tauá. A ação também se estendeu a outros estados para capturar membros que haviam se deslocado do Pará.
A mobilização nacional, que envolve 19 FICCOs, prevê o cumprimento de um total de 93 mandados de prisão e 181 de busca e apreensão em 16 estados brasileiros. Além do Pará, a operação atinge Amapá (AP), Acre (AC), Amazonas (AM), Bahia (BA), Ceará (CE), Goiás (GO), Maranhão (MA), Mato Grosso do Sul (MS), Minas Gerais (MG), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio Grande do Norte (RN), Sergipe (SE) e São Paulo (SP). A concentração de mandados no Pará, contudo, sublinha a relevância do estado como epicentro de investigações sobre crime organizado na Amazônia.
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou os nomes dos presos nem os locais exatos das buscas em Belém, visando garantir o sucesso das diligências. O balanço oficial de prisões, apreensões de drogas, armas e dinheiro será divulgado após a conclusão das operações. A expectativa é que os dados completos ofereçam um panorama mais claro da dimensão do combate ao crime organizado na região e no país.