A Polícia Civil do Pará, por meio da Delegacia de Homicídios e do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI) de Paragominas, cumpriu na última terça-feira (14) um mandado de prisão preventiva contra Jailson Tembé, 35 anos, indígena da etnia Tembé. Ele é o principal suspeito do assassinato de Cassiano Guajajara, 28 anos, também indígena, da etnia Guajajara. O crime ocorreu na aldeia Teko Haw, situada em território de Paragominas, no sudeste paraense.
A operação que resultou na prisão de Jailson Tembé recebeu o nome de “Opa”, uma referência direta à tradução da palavra indígena para o verbo “matar”, em alusão ao crime que estava sendo investigado. As investigações, conduzidas com diligências técnicas e investigativas pela equipe da Delegacia de Homicídios, reuniram indícios suficientes que apontam Jailson Tembé como o autor do homicídio de Cassiano Guajajara. Com base nas evidências coletadas, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do investigado, decisão que foi acatada e deferida pelo Poder Judiciário da Comarca de Paragominas. Após a prisão, Jailson Tembé foi encaminhado ao presídio local, onde aguarda os desdobramentos da ação judicial.
Entenda o caso
Cassiano Guajajara foi encontrado morto no dia 12 de junho de 2026. Ele estava desaparecido há quatro dias. O corpo foi localizado em uma área de mata isolada, em um igapó de difícil acesso, nas proximidades da aldeia Teko Haw. O estado de decomposição era avançado, e a vítima estava sem vestimentas. O exame de necropsia, realizado por peritos criminais, apontou que as causas da morte foram trauma contuso na cabeça, asfixia e afogamento.
Segundo a apuração policial, testemunhas relataram que, no dia do desaparecimento de Cassiano, ambos os indígenas estiveram juntos consumindo bebida alcoólica. O grupo inicial era composto por Cassiano, Jailson e mais dois outros indígenas. Ao longo do dia, os outros dois se afastaram, deixando Cassiano e Jailson juntos. Essa informação tornou Jailson Tembé a última pessoa vista com a vítima antes de seu falecimento.
A Polícia Civil destacou, como indícios contra o suspeito, a proximidade temporal e espacial entre ele e a vítima nos momentos que antecederam o crime. Além disso, foram observados um possível comportamento de ocultação por parte de Jailson e uma tentativa de deixar a aldeia durante o período em que Cassiano estava desaparecido. Jailson só teria retornado à comunidade após a localização do corpo de Cassiano.
A motivação para o crime, segundo as investigações, estaria relacionada a um desentendimento entre a vítima e o suspeito, possivelmente decorrente do consumo de bebida alcoólica. A complexidade do caso, envolvendo comunidades indígenas e dinâmicas sociais específicas, exige uma abordagem cuidadosa e respeitosa por parte das autoridades, garantindo a apuração dos fatos com imparcialidade e dentro dos ritos legais. A região amazônica, onde Paragominas está localizada, é marcada pela coexistência de diversas etnias e culturas, e a resolução de conflitos interpessoais dentro dessas comunidades é um desafio constante para as forças de segurança e para a própria sociedade.