Um homem foi preso em flagrante, acusado de exercer ilegalmente a profissão de veterinário, enquanto realizava uma cirurgia em um gato. O flagrante ocorreu em uma clínica veterinária localizada em Itaituba, sudoeste do Pará, na última terça-feira (12). O estabelecimento foi interditado pelas autoridades devido a diversas irregularidades constatadas.
A ação foi resultado de uma operação conjunta entre a Polícia Civil do Pará e órgãos de fiscalização sanitária e ambiental. A investigação teve início após denúncias anônimas que apontavam para a atuação de um profissional sem a devida habilitação para o exercício da medicina veterinária na região.
Segundo informações da Polícia Civil, o suspeito, identificado como J.S.A., utilizava o registro profissional de outro veterinário para realizar atendimentos e procedimentos cirúrgicos em animais. A suspeita é de que ele cobrava valores indevidos dos tutores, configurando possível estelionato.
O caso da gata com necrose
Um dos casos que motivou a investigação envolve uma tutora que procurou o falso veterinário para tratar sua gata. A tutora relatou que o animal passou por uma cirurgia na pata, e o falso veterinário teria informado a implantação de pinos. Contudo, dias após o procedimento, a tutora notou sinais de necrose no membro. Ao buscar atendimento em outra clínica, exames de raio-X revelaram que os pinos mencionados não haviam sido implantados, e o procedimento inadequado causou danos severos, levando à amputação da pata da felina.
A tutora, desconfiada, verificou o número de registro profissional apresentado pelo suspeito e descobriu que ele pertencia a outro profissional habilitado. Essa descoberta foi crucial para a deflagração da operação policial.
Irregularidades na clínica e antecedentes do suspeito
Durante a fiscalização na clínica de Itaituba, os agentes encontraram diversas irregularidades. Medicamentos veterinários vencidos foram localizados e estavam expostos para venda. A infraestrutura do local também apresentava falhas graves, como a falta de equipamentos adequados para esterilização de instrumentos cirúrgicos, um item essencial para a segurança de qualquer procedimento.
Além disso, a clínica não possuía o alvará de funcionamento e a licença sanitária exigida pelos órgãos competentes para operar legalmente. A interdição do estabelecimento visa impedir que novas irregularidades ocorram e proteja a saúde dos animais na região.
A Polícia Civil informou que o suspeito já possui registros anteriores relacionados a exercício ilegal da profissão e outros crimes. As investigações continuam para apurar a extensão de seus atos e identificar possíveis vítimas em outras cidades da região amazônica, como Santarém e Altamira, onde há indícios de que ele também tenha atuado.
A atuação de falsos profissionais na área da saúde animal representa um grave risco, não apenas para os animais, mas também para a saúde pública, pela possibilidade de disseminação de zoonoses e pelo uso indevido de medicamentos. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Pará (CRMV-PA) ressalta a importância de os tutores buscarem profissionais registrados e fiscalizarem a atuação dos estabelecimentos, garantindo o bem-estar e a segurança de seus pets.
A região amazônica, com sua vasta biodiversidade e grande número de animais de estimação, demanda atenção especial à fiscalização e à qualificação dos profissionais que atuam na área veterinária. Casos como este reforçam a necessidade de vigilância constante por parte das autoridades e da sociedade.