Belém (PA) – Um estudante de Medicina é o principal suspeito de expor fotos de adolescentes e jovens de escolas particulares da capital paraense em uma comunidade da plataforma Discord. A ação, considerada de cunho sexual e extremamente ofensiva, já motivou mais de 15 denúncias formais à Polícia Civil do Pará (PC/PA). As vítimas relatam sentir medo e insegurança, afetando sua rotina.
As imagens, que teriam sido retiradas de redes sociais das próprias vítimas e, em alguns casos, de perfis de familiares, foram compiladas em uma espécie de ranking com classificações inapropriadas. Fotos de momentos cotidianos, como estudos, festas e outros eventos sociais, foram utilizadas sem autorização, gerando profunda angústia entre os jovens e seus responsáveis.
Uma das vítimas, de 18 anos, que preferiu não se identificar, compartilhou o seu temor em entrevista à RBATV. Ela descreveu o choque ao descobrir sua imagem no material exposto. “A gente fica muito assustada, insegura de sair na rua e de ser reconhecida. E medo também das pessoas que concordam com isso e acabam usando isso de exemplo”, relatou a jovem, evidenciando o impacto psicológico da exposição.
A descoberta ocorreu de forma inesperada, após um contato de uma amiga. A vítima expressou a sensação de ter o significado e a memória afetiva das fotos perdidos. “Quando a gente vê a foto, perde o sentido, perde o carinho do momento que a foto foi tirada. A gente começa a lembrar do momento em que isso aconteceu”, disse.
O que mais assusta, segundo a jovem, é a participação de pessoas desconhecidas na criação e divulgação do conteúdo. “São pessoas que eu nem conheço. Conheço um, no máximo de vista, falava por educação. E o que torna mais assustador ainda é saber que pessoas que eu não conheço tiraram um tempo das suas vidas para pegar uma foto minha de uma rede social e usar para esse tipo de coisa”, declarou, apelando para que outras vítimas também procurem as autoridades.
As famílias das vítimas buscaram a Divisão de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DATA) da PC/PA para registrar as ocorrências. O caso está sendo investigado pela unidade especializada em crimes cibernéticos, conforme informado pela corporação. A gravidade da situação é acentuada pelo fato de que a lista pode incluir adolescentes menores de idade, com relatos apontando vítimas a partir dos 13 anos, o que agrava a responsabilidade penal do autor.
A exposição de imagens íntimas ou pessoais sem consentimento, especialmente de menores, configura crime no Brasil, com penas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal. A Polícia Civil do Pará reforça a importância da denúncia para a identificação e responsabilização dos envolvidos. A disseminação de material íntimo por meio de plataformas digitais, como o Discord, tem sido um desafio crescente para as autoridades na região amazônica, onde o acesso à internet tem se expandido, mas a conscientização sobre segurança online ainda necessita de aprimoramento.
O contexto amazônico, com suas particularidades sociais e culturais, torna a proteção de crianças e adolescentes um ponto ainda mais sensível. A rápida disseminação de informações e conteúdos na internet pode ter repercussões severas em comunidades mais isoladas ou com menor acesso a recursos de apoio. A PC/PA atua em conjunto com órgãos de proteção para coibir crimes dessa natureza e orientar a população sobre os riscos do ambiente digital.