Um empresário investigado por suspeita de estupro de vulnerável e coação no curso do processo, em Abaetetuba, nordeste do Pará, foi colocado em liberdade após passar por audiência de custódia neste domingo (31). A decisão ocorreu dois dias após a prisão em flagrante do suspeito, realizada na sexta-feira (29) por equipes da Polícia Civil.
A prisão de Harrison, como foi identificado o empresário, foi divulgada pela Polícia Civil, que apura os crimes de estupro de vulnerável e coação. As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA) e pela Superintendência Regional do Baixo Tocantins. A ação policial teve início após a mãe de uma menina de 11 anos procurar as autoridades para denunciar o suposto abuso sexual infantil. A partir dessa denúncia, as forças de segurança iniciaram diligências para localizar o investigado.
Segundo informações da Polícia Civil, o empresário teria deixado a cidade de Abaetetuba ao tomar conhecimento da apuração. No entanto, ele acabou sendo preso ao comparecer à delegacia para prestar esclarecimentos sobre as denúncias. Durante o processo investigativo, testemunhas relataram ter recebido mensagens e áudios do suspeito com pedidos para que não comentassem os fatos caso fossem procuradas pelas autoridades. Por esse motivo, além da suspeita de estupro de vulnerável, foi lavrado o flagrante também pelo crime de coação no curso do processo.
Em resposta à gravidade das denúncias e visando a proteção da vítima e de seus familiares, a Polícia Civil solicitou medidas protetivas de urgência. Os pedidos foram fundamentados em dispositivos legais como a Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022), que trata da violência contra crianças e adolescentes, e a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que estabelece mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, adaptada ao contexto de proteção de menores.
Apesar da prisão em flagrante e das evidências coletadas, o empresário foi liberado após a realização da audiência de custódia. A defesa do investigado, representada pela advogada Denilza Teixeira, informou que acompanhou todos os procedimentos legais e que continuará atuando no caso. A soltura, contudo, não encerra as investigações. A Polícia Civil reiterou que o inquérito policial segue em andamento e que novos desdobramentos poderão ser divulgados conforme o avanço da apuração e a análise das provas.
O caso em Abaetetuba, cidade localizada na região nordeste do Pará, insere-se no contexto da Amazônia Legal, onde a proteção de crianças e adolescentes é um desafio constante, especialmente em áreas de difícil acesso e com infraestrutura limitada. A atuação das delegacias especializadas e a colaboração da comunidade são fundamentais para garantir que crimes como este sejam devidamente investigados e os responsáveis, punidos, assegurando a justiça e a segurança das vítimas. A sociedade amazônica aguarda os desdobramentos deste caso, que expõe a necessidade de vigilância contínua e de políticas públicas eficazes para o combate à violência sexual infantil na região.