A economista Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, avalia que o Brasil atravessa um período de retrocesso na gestão da política fiscal. Essa situação, segundo ela, gera consequências diretas para a estabilidade macroeconômica do país, afetando a previsibilidade e o ambiente de negócios.
Em entrevista ao programa WW Especial, Zeina Latif destacou a dificuldade em prever a taxa de juros no Brasil para o próximo ano. “Hoje a gente não consegue dizer com acurácia, com elevada probabilidade, o que vai ser a taxa de juros no ano que vem no Brasil”, afirmou a economista.
A combinação de juros elevados e instáveis é vista pela especialista como um “veneno” para o setor produtivo e para o ambiente de negócios. Essa incerteza dificulta o planejamento de investimentos de longo prazo, essencial para o desenvolvimento econômico, especialmente em regiões como a Amazônia Legal, onde a infraestrutura e a logística já representam desafios consideráveis.
O contexto amazônico, com suas particularidades geográficas e econômicas, torna a estabilidade fiscal ainda mais crucial. A dificuldade em acessar crédito com taxas previsíveis e competitivas pode desestimular investimentos em setores estratégicos para a região, como o manejo florestal sustentável, a bioeconomia e o turismo ecológico. Em estados como Pará (PA) e Amazonas (AM), a dependência de recursos federais para projetos de infraestrutura e desenvolvimento social é alta, e a instabilidade fiscal no âmbito nacional pode comprometer a execução desses projetos.
A política fiscal refere-se ao conjunto de ações do governo relacionadas à arrecadação de impostos e aos gastos públicos. Uma gestão fiscal responsável e previsível é fundamental para manter a inflação sob controle, reduzir a taxa de juros e atrair investimentos. Quando a gestão fiscal se torna instável ou insustentável, o governo pode ter dificuldades em honrar seus compromissos, levando a um aumento da dívida pública e da desconfiança dos investidores.
Latif ressalta que a falta de clareza sobre a trajetória das contas públicas afeta não apenas as grandes empresas, mas também pequenos e médios empreendedores. No interior da Amazônia, onde o acesso a informações e a recursos financeiros é ainda mais limitado, essa instabilidade pode ser devastadora. Comunidades ribeirinhas e povos indígenas, que dependem de políticas públicas para garantir seus direitos e promover seu desenvolvimento, podem ser os mais prejudicados pela falta de previsibilidade orçamentária.
A economista sugere que a recuperação da confiança na política fiscal brasileira passa pela adoção de medidas claras e consistentes que demonstrem o compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas. Isso inclui a definição de metas fiscais realistas, o controle dos gastos públicos e a busca por uma reforma tributária que simplifique o sistema e promova a eficiência econômica.
Para a região amazônica, a retomada da credibilidade fiscal no cenário nacional pode abrir portas para novos investimentos em infraestrutura, como a melhoria de portos e rodovias, e em projetos de desenvolvimento sustentável. A estabilidade macroeconômica é um pré-requisito para que o potencial econômico da Amazônia possa ser plenamente explorado de forma sustentável, gerando emprego e renda para a população local sem comprometer o meio ambiente.
