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Sonda Japonesa Capta Imagens Inéditas de Asteroide Torifune

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa) divulgou nesta segunda-feira (6) que a sonda Hayabusa2 obteve registros visuais inéditos do asteroide Torifune, um corpo celeste localizado em proximidade com a Terra. A missão, parte do projeto Estendido Hayabusa2, representa a primeira exploração de um asteroide sob esta nova fase, com o objetivo primordial de detalhar o tamanho e a forma exatos do objeto.

O sobrevoo ocorreu no último domingo (5), às 18h30 no horário japonês, o que correspondeu às 6h30 da manhã em Brasília. As imagens, capturadas pela câmera de navegação óptica telescópica (ONC-T) da sonda, oferecem um vislumbre detalhado da superfície rochosa de Torifune, sendo cruciais para a orientação da Hayabusa2 durante a aproximação.

Além das imagens, outros instrumentos científicos foram acionados aproximadamente uma hora antes do ponto de maior aproximação. Entre eles, destacam-se o espectrômetro de infravermelho próximo (NIRS3), a câmera de imagem térmica (TIR) e o sistema de medição a laser (LIDAR). Estes equipamentos coletaram dados valiosos sobre a composição e características térmicas do asteroide.

A Jaxa informou que parte dos dados coletados já foi transmitida para a Terra, e o restante será enviado em missões futuras. A análise completa dessas informações permitirá aos cientistas aprofundar o conhecimento sobre Torifune, contribuindo para a compreensão da formação e evolução de corpos celestes no nosso sistema solar.

A sonda Hayabusa2, lançada em dezembro de 2014, já possui um histórico notável. Ela se destacou por explorar o asteroide Ryugu, de onde trouxe amostras para a Terra em dezembro de 2020, após uma jornada de cerca de 300 milhões de quilômetros. A missão a Ryugu incluiu um pouso em junho de 2018 e a coleta de amostras de subsuperfície, um feito inédito em missões espaciais. Para facilitar a coleta, um projétil de cobre foi disparado contra o asteroide, criando uma cratera de impacto com aproximadamente 10 metros de diâmetro.

Análises prévias das amostras de Ryugu revelaram a presença de aminoácidos e outras moléculas orgânicas essenciais, com descobertas de uracil e niacina também em meteoritos terrestres. Estes achados reforçam a hipótese de que os blocos de construção da vida podem ter sido trazidos para a Terra por asteroides e cometas, um tema de grande interesse para a astrobiologia.

A exploração de asteroides como Torifune e Ryugu não se limita a descobertas científicas imediatas. Ela também contribui para o desenvolvimento de tecnologias espaciais avançadas, essenciais para futuras missões de exploração e para a eventual proteção da Terra contra potenciais impactos de objetos espaciais. No contexto da Amazônia Legal, a compreensão da origem dos materiais que compõem nosso planeta, incluindo a água e os compostos orgânicos, pode oferecer perspectivas sobre a formação de ecossistemas únicos, como as vastas florestas e rios que caracterizam a região. O estudo de corpos celestes auxilia a ciência a traçar paralelos entre a formação do sistema solar e a evolução da vida em nosso planeta, um conhecimento que, embora distante da realidade cotidiana de comunidades ribeirinhas e indígenas, fundamenta a compreensão global do universo e do nosso lugar nele.

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