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SAF na Aviação: Brasil Tem Potencial para Liderar Produção Global

Brasília (DF) – A produção global de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) deverá atingir cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026, um volume que representa apenas 0,8% do consumo total de combustível aéreo, segundo estimativas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). Apesar de ser apontada como a principal aposta do setor para a descarbonização, a oferta limitada e o custo elevado do SAF em comparação ao querosene de aviação (QAV) configuram gargalos significativos.

O diretor-geral da Iata, Willie Walsh, expressou preocupação com o cenário. “Parece que este será mais um ano decepcionante para a produção de SAF”, afirmou, acrescentando que o caminho para atingir as metas de descarbonização da aviação torna-se mais árduo anualmente, “com políticas governamentais mal sequenciadas e o desinteresse das empresas petrolíferas”. Walsh ressaltou que o atual choque energético, intensificado pela guerra no Oriente Médio, deveria impulsionar o desenvolvimento de energias renováveis, incluindo o SAF. Contudo, ele lamentou a falta de “urgência de mitigar as mudanças climáticas se materializarem nos incentivos necessários para criar um mercado viável de SAF”.

Potencial brasileiro em destaque

Em meio a uma oferta global ainda restrita, a Iata identifica o Brasil como um polo com grande potencial para se tornar um dos principais produtores de SAF nas próximas décadas. A entidade projeta que o país poderá produzir cerca de 60 milhões de toneladas do combustível sustentável até 2050. Esse potencial se alinha ao contexto amazônico, onde a biodiversidade e os recursos naturais podem ser explorados de forma sustentável para a produção de biocombustíveis.

A associação destaca que políticas nacionais como a Política Nacional de Transição Energética e o Programa de Aceleração da Transição Energética, além de iniciativas como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro, criam um ambiente propício para a expansão do uso de biocombustíveis no setor de transportes, com a aviação inclusa. A região amazônica, com sua vasta extensão territorial e potencial agrícola, pode desempenhar um papel crucial na oferta de matérias-primas para a produção de SAF, desde que as iniciativas sejam pautadas pela sustentabilidade e respeito ao meio ambiente, evitando desmatamento e garantindo a bioeconomia local.

Com o avanço dessas políticas e o aproveitamento do potencial de produção, a Iata avalia que o Brasil não apenas poderá suprir sua demanda interna por SAF, mas também se consolidar como um importante fornecedor global de matérias-primas e exportador do combustível sustentável. A consolidação de polos de produção em estados como Pará (PA) e Amazonas (AM), por exemplo, poderia gerar empregos e impulsionar a economia regional, alinhando desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. A logística de transporte a partir da região amazônica, embora desafiadora, pode ser otimizada com investimentos em infraestrutura, conectando os centros produtores aos terminais de exportação e consumo.

A transição para o SAF é fundamental para que a aviação atinja suas metas de redução de emissões de carbono, estabelecidas para 2030 e 2050. A Iata reforça que o engajamento de governos, indústria e sociedade é essencial para superar os desafios e viabilizar a produção em larga escala do combustível sustentável, garantindo um futuro mais verde para os céus brasileiros e globais.

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