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Romário Abre Mão de Salário de Senador Durante Cobertura da Copa

O senador e ex-jogador de futebol Romário (PL-RJ) informou nesta terça-feira (30) que renunciou ao seu salário de senador durante o período em que estará fora de Brasília para cobrir a Copa do Mundo. A decisão visa atender a críticas sobre sua ausência em atividades legislativas enquanto se dedica à função de comentarista na CazéTV.

Contratado pela emissora no início de maio, Romário declarou, em discurso virtual no plenário do Senado, que não se licenciou formalmente do mandato. Ele justificou a ação como uma forma de demonstrar compromisso com o eleitorado do Rio de Janeiro e, simultaneamente, com pautas importantes como a PEC que busca o fim da escala de trabalho 6×1.

“Voluntariamente, abri mão do meu salário por todo o período em que estarei acompanhando a Copa. Fiz isso através de um ofício à Presidência do Senado. Não receberei salário desde o primeiro dia da Copa, que isso fique bem claro! E, ao mesmo tempo, estarei aqui, como estou agora, honrando a confiança que o povo do Rio de Janeiro me deu para representá-lo no Senado, e em muitas causas também, como o fim da escala 6×1 no nosso país”, afirmou o parlamentar.

A atitude de Romário recebeu apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que o definiu como um “ídolo” que “está honrando o Brasil como sempre, seja como campeão da Copa do Mundo e, agora, senador da República reeleito pelo Rio de Janeiro”.

Entretanto, a decisão do senador tem gerado repercussão negativa nas redes sociais e entre parlamentares no Congresso. Críticos apontam que sua ausência em Brasília compromete suas responsabilidades como representante eleito. Dados indicam que, desde o início do calendário legislativo de 2026, o senador esteve em atividade por apenas dois meses, somando-se a uma licença anterior de três meses no ano passado. O salário bruto de um senador é de R$ 46,3 mil.

A cobertura da Copa do Mundo, especialmente por figuras públicas com mandatos eletivos, levanta debates sobre a priorização de atividades e a percepção pública. No contexto da Amazônia Legal, onde a representação política e a presença dos parlamentares em suas bases são cruciais para o desenvolvimento regional e a fiscalização de políticas públicas, a ausência de legisladores pode ser sentida de forma mais intensa. Cidades como Macapá (AP), por exemplo, dependem da atuação de seus representantes em Brasília para garantir recursos e atenção a demandas específicas, como infraestrutura, saúde e educação.

A renúncia ao salário, embora apresentada como um gesto de boa-fé, não isenta o parlamentar das críticas quanto à dedicação ao mandato. A mídia e a sociedade civil têm um papel fundamental em fiscalizar a atuação dos eleitos, cobrando transparência e compromisso com as promessas de campanha e as responsabilidades inerentes ao cargo. A atuação de Romário, agora dividida entre a cobertura esportiva e o mandato legislativo, reflete um dilema cada vez mais comum entre personalidades públicas que transitam entre diferentes esferas de atuação.

A discussão sobre a escala de trabalho 6×1, mencionada pelo senador, é um tema de grande relevância para a classe trabalhadora em todo o país, inclusive nos estados amazônicos, onde muitos trabalhadores enfrentam longas jornadas e condições adversas. A busca por melhores condições de trabalho e remuneração justa é uma bandeira defendida por diversos setores da sociedade, e a participação de parlamentares como Romário nesse debate é vista como essencial.

A atuação de senadores e deputados, seja em Brasília ou em suas bases eleitorais, é acompanhada de perto pelos cidadãos. A forma como utilizam o tempo e os recursos públicos, e como se dedicam às suas funções, são fatores determinantes para a confiança depositada a eles. O caso de Romário server de exemplo para discussões sobre ética na política, transparência e a importância do cumprimento dos deveres parlamentares, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde a representatividade é um pilar fundamental da democracia.

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