Os preços médios do suíno vivo registraram o menor patamar em termos reais desde julho de 2012, conforme divulgado pelo Cepea (Centro de Pesquisa em Economia Aplicada) nesta sexta-feira (5). Este é o terceiro mês consecutivo de queda tanto para os animais vivos quanto para a proteína suína. A retração é atribuída por pesquisadores à diminuição da demanda, tanto no mercado interno quanto no externo.
Embora tenha havido um aumento pontual na procura pela carne suína em maio, motivado pelas celebrações do Dia das Mães (10), essa demanda não se manteve ao longo do mês. A consequência direta dessa baixa procura foi a redução nos preços do animal vivo, com maior intensidade, e da proteína nos mercados atacadistas.
Diante desse cenário, muitos suinocultores têm buscado alternativas no mercado internacional, na tentativa de reequilibrar as cotações no mercado nacional. No entanto, a demanda externa pela proteína suína também apresentou recuo em maio. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados pelo Cepea, indicam que na primeira quinzena de maio houve uma redução de 15% na média diária de embarques de carne suína em comparação com o mesmo período de abril.
A situação afeta diretamente a economia do setor agropecuário, que é vital para diversas regiões da Amazônia Legal. Estados como Pará (PA) e Rondônia (RO), que possuem cadeias produtivas de suinocultura, sentem o impacto dessa desvalorização. A queda nos preços pode comprometer a rentabilidade dos produtores, especialmente os de pequeno porte, que muitas vezes operam com margens apertadas. A dificuldade em escoar a produção, seja pelo mercado interno enfraquecido ou pela retração das exportações, gera um ciclo de instabilidade para os criadores.
O contexto amazônico agrava a situação, pois a infraestrutura logística em muitas áreas da região ainda é precária. O transporte de animais vivos e de produtos perecíveis, como a carne suína, enfrenta desafios de custo e tempo, o que pode tornar a produção local menos competitiva. A falta de acesso a mercados consumidores mais distantes ou a mercados internacionais, devido a barreiras logísticas e sanitárias, intensifica a dependência dos preços domésticos, que neste momento estão em queda acentuada.
Analistas do setor sugerem que a superoferta de carne suína no mercado interno, combinada com a menor capacidade de compra da população em decorrência do cenário econômico geral, contribui para a atual desvalorização. A busca por alternativas de crédito e por políticas públicas de fomento à produção e ao consumo são apontadas como medidas necessárias para a recuperação do setor. A capacidade de adaptação dos produtores amazônicos, que já enfrentam diversos outros desafios climáticos e ambientais, será crucial para superar este período de baixa rentabilidade.
