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Mercado de Venture Capital no Brasil Aponta para Recuperação

O mercado de venture capital no Brasil encontra-se em um momento de transição, demonstrando sinais de retomada após um período de desaceleração conhecido como “inverno”. Essa avaliação é compartilhada por Laura Constantini, sócia e fundadora da Nido, gestora que iniciou suas operações entre 2022 e 2023, em declarações recentes ao programa “Café com Investidor”.

Constantini descreve o cenário atual como “quase pronto para um reflorescimento do mercado de tecnologia no Brasil”. Ela compara a conjuntura à época em que diversas gestoras de investimento lançaram suas atividades, um período caracterizado por uma infraestrutura estável e propícia ao desenvolvimento de novas aplicações. “A gente está quase lá com a IA”, afirmou, ressaltando que este contexto explica tanto a cautela quanto o otimismo que coexistem no setor.

Lições do passado e a cautela com valuations

Ao refletir sobre os equívocos do período de euforia, Laura Constantini aponta a distorção na avaliação de empresas como uma das principais lições. A prática comum de utilizar o mercado americano como referência direta para o valuation de startups brasileiras foi um fator de desequilíbrio. “Uma startup americana e a brasileira começam do mesmo jeito, com o mesmo valuation, só que a nossa economia é menor, a gente consome em reais e não em dólar e o nosso poder aquisitivo também é menor”, explicou. Essa disparidade, segundo ela, levou investidores a desembolsar quantias superiores ao que o mercado local poderia sustentar. “Em algum momento você vai entender que pagou demais por algo que não vai se concretizar”, alertou.

Questionada sobre a correção dessa distorção, Constantini mostrou-se ponderada. Ela reconhece uma maior conscientização no mercado, mas admite a dificuldade em discernir empresas genuinamente “AI native” daquelas que apenas incorporam a tecnologia de forma superficial, especialmente diante do “ruído” gerado pela inteligência artificial.

Inteligência Artificial como fator determinante

Para Laura Constantini, investir em startups que não integram alguma camada de inteligência artificial tornou-se praticamente inviável, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A justificativa reside na capacidade da IA de otimizar processos e extrair inteligência de grandes volumes de dados, sejam eles estruturados ou não. A geração de insights a partir dessas análises representa um diferencial competitivo significativo; a omissão dessas oportunidades, por outro lado, implica em perdas potenciais.

No que tange ao papel do Brasil nesse ecossistema global de IA, Constantini avalia que o país não possui vocação intrínseca para investir em infraestrutura de ponta, como o desenvolvimento de chips, modelos de linguagem de grande escala (LLMs) ou computação quântica. Contudo, ela ressalta que tudo o que é construído sobre essa base tecnológica tem potencial de florescer em solo brasileiro. Isso se aplica a aplicações e serviços que utilizam IA para resolver problemas específicos, otimizar operações ou criar novas experiências para o consumidor. O contexto amazônico, por exemplo, com sua vasta biodiversidade e desafios logísticos, pode se beneficiar enormemente de soluções baseadas em IA para monitoramento ambiental, agricultura de precisão e gestão de recursos naturais, áreas onde o Brasil pode se destacar.

A recuperação do mercado de venture capital, portanto, está atrelada à capacidade de inovação das startups e à adoção estratégica de tecnologias como a IA. Em regiões como a Amazônia Legal, a aplicação dessas ferramentas pode não apenas impulsionar negócios locais, mas também contribuir para a sustentabilidade e o desenvolvimento socioeconômico, desde que haja um ecossistema favorável ao investimento e à implementação dessas novas tecnologias.

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