O governo brasileiro classificou nesta quinta-feira (16) a imposição de tarifas de 25% sobre produtos nacionais pelos Estados Unidos como um “marco lastimável” nas relações bilaterais. A medida, confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), entrará em vigor em 22 de julho.
A sobretaxa é resultado de uma investigação iniciada pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após anúncio do então presidente americano Donald Trump em julho de 2025, visando uma ofensiva comercial contra o Brasil. O governo federal, em nota oficial, repudiou a decisão, argumentando a ausência de justificativas para medidas unilaterais.
O Planalto destacou que os EUA possuem um superávit comercial expressivo com o Brasil, acumulando US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nos últimos 15 anos. Ressaltou, ainda, que a maioria dos produtos norte-americanos ingressa no território brasileiro sem a incidência de impostos. O governo brasileiro afirmou ter mantido uma postura de diálogo e que nunca se afastou das negociações, mesmo discordando das premissas do “tarifaço”.
Em relação às alegações contra o sistema de pagamentos Pix e a regulação de plataformas digitais, bem como sobre desmatamento, o governo brasileiro considerou as acusações “descabidas” e “absurdas”. O Pix foi defendido como um “patrimônio do nosso povo” e uma “referência internacional de infraestrutura pública digital”.
A reação brasileira ao “tarifaço” foi articulada em três frentes: diversificação de mercados para exportação, implementação de medidas de socorro às empresas impactadas e o acionamento da Lei de Reciprocidade. “Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, declarou o governo.
O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. O tema será retomado no âmbito de fóruns internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o país buscará demonstrar a ilegalidade da medida estadunidense. A decisão dos EUA de impor tarifas sobre produtos brasileiros pode ter reflexos em diversos setores da economia nacional, incluindo aqueles com forte presença na Amazônia Legal, como a produção de madeira e outros produtos florestais não madeireiros, que já enfrentam desafios logísticos e de acesso a mercados internacionais. A instabilidade nas relações comerciais pode afetar investimentos e a geração de empregos na região, que depende da valorização de seus produtos no mercado global. A diversificação de mercados, mencionada pelo governo, é uma estratégia crucial para mitigar esses riscos, buscando novos compradores para produtos amazônicos e reduzindo a dependência de mercados tradicionais que podem ser afetados por barreiras tarifárias. A Lei de Reciprocidade, por sua vez, permite ao Brasil adotar medidas de retaliação contra produtos de países que imponham barreiras injustificadas ao comércio brasileiro, buscando um equilíbrio nas relações comerciais e protegendo a indústria nacional.
