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Estreito de Ormuz: o Centro da Disputa Entre EUA e Irã

A tensão entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã, que se intensifica há cerca de cinco meses, tem o Estreito de Ormuz como principal foco da disputa. A análise é de Najad Khouri, economista e especialista em Oriente Médio, em entrevista ao WW. Segundo Khouri, o controle sobre essa passagem marítima estratégica tornou-se o eixo central da rivalidade entre as duas potências globais.

Khouri destacou que as Guardas Revolucionárias Iranianas identificaram o Estreito de Ormuz como um ativo de valor estratégico inestimável. “As guardas revolucionárias descobriram que o Estreito de Ormuz é muito mais importante para a revolução do que o acordo nuclear, o desenvolvimento nuclear, e que ali podem controlar o tráfego de energia mundial e provar que têm força contra os Estados Unidos”, explicou o especialista. Essa percepção consolidou o estreito como o epicentro da narrativa conflituosa entre as nações.

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma via marítima vital para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Sua importância estratégica reside no fato de que por ele passa uma parcela significativa do suprimento mundial de energia. Qualquer interrupção ou restrição no tráfego pelo estreito tem o potencial de desestabilizar os mercados globais de energia e gerar crises econômicas.

Diante da redução do tráfego marítimo pelo estreito, estimada em aproximadamente um quarto do volume anterior ao conflito, países da região buscam ativamente rotas alternativas para o escoamento de sua produção energética. Lourival Sant’Anna, analista de Relações Internacionais da CNN, informou que os Emirados Árabes Unidos estão expandindo a capacidade de um oleoduto que transporta petróleo para um porto situado fora do Estreito de Ormuz, permitindo o escoamento direto pelo Golfo de Omã.

Paralelamente, a Arábia Saudita está em processo de duplicação da capacidade de um oleoduto que conecta o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, atravessando a península de leste a oeste. Esta rota alternativa visa mitigar a dependência do Estreito de Ormuz para a exportação de seu petróleo. Sant’Anna também mencionou a exploração de rotas a partir do Kuwait e do Bahrein em direção ao Mar Mediterrâneo, além da possibilidade de transporte rodoviário, embora esta última seja considerada pouco viável em larga escala devido aos altos custos operacionais.

“Todas as soluções, com exceção dos Emirados Árabes, que é a mais rápida e já está em implementação, levam anos e não meses”, ressaltou Sant’Anna. Ele acrescentou que, enquanto essas alternativas não estiverem plenamente operacionais, “essa asfixia continuará acontecendo”. Essa asfixia se refere às pressões econômicas e estratégicas impostas pela potencial interrupção do fluxo de energia através de Ormuz.

Em um desenvolvimento diplomático notável, pela primeira vez desde a invasão da embaixada dos Estados Unidos em Teerã em 1979, os dois países estariam explorando a possibilidade de estabelecer uma linha de comunicação militar direta. “Está havendo tratativas nessa direção entre Estados Unidos e Irã”, afirmou Sant’Anna. O objetivo dessas negociações seria a troca de garantias mútuas como ponto de partida para a desescalada da tensão.

A importância do Estreito de Ormuz transcende a geopolítica regional, impactando a economia global e, por consequência, economias de regiões distantes como a Amazônia Legal. Embora a conexão direta possa parecer remota, a volatilidade nos preços do petróleo, influenciada por eventos como a crise em Ormuz, afeta cadeias produtivas e o custo de insumos em diversos setores, incluindo transporte e energia, que são cruciais para a infraestrutura amazônica. A instabilidade no Oriente Médio pode levar a flutuações nos preços dos combustíveis, impactando o custo logístico para o escoamento de produtos da região, como a produção agrícola e mineral, e o acesso a bens essenciais em cidades como Macapá (AP) e Manaus (AM).

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