Com 100% das urnas apuradas no primeiro turno das eleições presidenciais colombianas, a disputa se encaminha para um segundo turno entre o candidato da ultradireita Abelardo de la Espriella e o governista Ivan Cepeda. De la Espriella obteve 43,74% dos votos, enquanto Cepeda alcançou 40,9%. O segundo turno está marcado para o dia 21 de junho, e a principal estratégia dos candidatos agora se concentra na conquista dos eleitores da terceira colocada.
Inicialmente, houve questionamentos sobre os resultados por parte de Ivan Cepeda e Gustavo Petro, que alegaram possíveis irregularidades no processo eleitoral. Petro chegou a afirmar que não reconheceria os resultados oficiais. No entanto, na segunda-feira (1°), Cepeda retratou-se em pronunciamento a jornalistas, declarando que sua equipe realizou as verificações necessárias e “não identificou fatos suficientes para alegar irregularidades”. As alegações iniciais de fraude eleitoral, comuns em pleitos em diversas nações, especialmente em contextos de polarização política, parecem ter se dissipado.
Quem são os candidatos:
Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de 47 anos, é frequentemente comparado a Nayib Bukele, presidente de El Salvador. Sem trajetória política anterior, sua campanha surpreendeu ao defender uma política de tolerância zero contra grupos armados irregulares e uma significativa redução do tamanho do Estado em até 40% em quatro anos. Sua plataforma apela a um eleitorado que busca ordem e mudanças drásticas na gestão pública.
Ivan Cepeda, senador de esquerda de 63 anos, contava com o apoio de Gustavo Petro e aparecia à frente nas pesquisas de intenção de voto. Sua proposta é a continuidade das políticas sociais implementadas pelo atual governo, além de defender o diálogo com grupos armados como um caminho para a pacificação do país. Sua candidatura representa a manutenção de um projeto político com foco em inclusão social e negociação.
A corrida pelos votos da terceira via:
Segundo analistas, as alegações de irregularidades eleitorais devem se dissipar rapidamente, uma vez que o próprio procurador-geral da Colômbia, órgão com status de independência, declarou não haver indícios de problemas no registro eleitoral. A origem dessas suspeitas pode remontar às eleições legislativas de 2022, quando houve uma diferença expressiva de votos em favor do Pacto Histórico, partido de Petro e Cepeda. Agora, com os resultados preliminares apontando vantagem para De la Espriella, Petro buscou lançar dúvidas sobre a legitimidade do processo.
O foco do segundo turno será a disputa pelos eleitores de Paloma Valencia, candidata de centro-direita que obteve quase 7% dos votos, terminando em terceiro lugar. Se a votação de Valencia fosse somada à de De la Espriella, o candidato da ultradireita ultrapassaria a marca de 50% dos votos, garantindo sua eleição. Para Cepeda, a situação é mais desafiadora. Com cerca de 41% dos votos e uma coalizão de esquerda já consolidada, o espaço para angariar novos eleitores é limitado. Valencia, que durante a campanha fez críticas contundentes a setores da esquerda, representa um eleitorado conservador e de centro-direita, que pode ser decisivo no desfecho da eleição. A capacidade de Cepeda em atrair votos moderados ou de centro será crucial.
O contexto regional amazônico, embora distante geograficamente, compartilha desafios semelhantes em termos de polarização política e a busca por soluções para a pacificação e o desenvolvimento social. A Colômbia, como país vizinho, tem suas eleições acompanhadas de perto por nações sul-americanas, dada a importância estratégica e as relações bilaterais. A estabilidade política colombiana reflete em toda a região.
