O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou a necessidade de “juros civilizados” para impulsionar o crédito no Brasil. Segundo o ministro, uma das principais vias para alcançar essa meta reside na estabilização da questão fiscal do país. Durigan ressaltou que a tranquilidade fiscal é um objetivo perseguido pelo governo, alinhado às projeções de superávit fiscal apresentadas nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO) desde 2023.
“Nós praticamente zeramos o déficit público”, afirmou Durigan, embora reconheça a importância de consolidar a trajetória da dívida pública. Ele pontuou que, a partir de 2024, o resultado primário tem sido um fator positivo para a previsibilidade econômica.
O ministro expressou confiança de que o governo contribuirá para a diminuição do prêmio de risco e, consequentemente, para a redução dos juros no Brasil. “Como a gente fez um ajuste de aproximadamente 2 pontos porcentuais do PIB, nesta gestão, esse desafio precisa ser replicado daqui para a frente. E, ao demonstrar que nós vamos fazer isso, eu espero que a gente avance para a etapa de redução da taxa de risco”, declarou.
Durigan explicou que o desafio de obter “juros civilizados” impacta tanto o desenvolvimento nacional, uma vez que o país emite títulos para captar recursos, quanto o ambiente de negócios, afetando diretamente as conversas com o setor empresarial. “Nós vamos ter que endereçar a questão dos juros”, reiterou.
Essas declarações foram feitas durante a 27ª Conferência Anual Santander, realizada nesta segunda-feira (17). A busca por juros mais baixos é um tema recorrente no debate econômico, especialmente em regiões como a Amazônia Legal. Taxas de juros elevadas encarecem o crédito, dificultando o acesso a financiamentos para empreendedores locais, seja para expandir negócios na agricultura familiar, no extrativismo sustentável ou na indústria.
No contexto amazônico, onde a infraestrutura muitas vezes apresenta desafios adicionais, o custo do crédito pode ser um fator determinante para a viabilidade de projetos de desenvolvimento. Em cidades como Macapá (AP) ou Manaus (AM), por exemplo, empresários frequentemente relatam as dificuldades enfrentadas para obter linhas de crédito com taxas acessíveis. A dependência de recursos para investir em tecnologia, logística e inovação é alta, e juros proibitivos limitam o potencial de crescimento e geração de empreemprego.
A perspectiva de uma política fiscal mais austera e previsível, conforme sinalizada pelo ministro, pode trazer alívio. A redução do prêmio de risco Brasil, associada à melhoria da percepção de saúde fiscal do país, tende a atrair mais investimentos e a diminuir o custo de captação para empresas e para o próprio governo. Isso, em tese, se traduziria em taxas de juros menores para empréstimos e financiamentos oferecidos aos cidadãos e às empresas em todo o território nacional, incluindo os estados da Amazônia Legal.
A articulação entre a política fiscal e a política monetária é fundamental. Enquanto o Ministério da Fazenda busca ajustar as contas públicas, o Banco Central (BC) tem a prerrogativa de definir a taxa básica de juros (Selic). A convergência de esforços para a consolidação fiscal pode dar ao BC mais margem para reduzir a Selic, beneficiando a economia como um todo. A expectativa é que a disciplina fiscal se mantenha, permitindo que o ciclo de cortes de juros continue, o que seria um impulso significativo para o desenvolvimento econômico, especialmente em regiões com grande potencial de crescimento como a Amazônia.
