Uma força-tarefa internacional, composta por mais de dez agências de segurança de Estados Unidos, Canadá e México, foi montada para garantir a segurança da Copa do Mundo FIFA de 2026. A operação, considerada sem precedentes, visa coordenar esforços em um evento de dimensões continentais, com 48 seleções e 104 partidas distribuídas por três países. Diferentemente da Copa do Catar em 2022, onde as sedes estavam concentradas em um raio de aproximadamente 50 quilômetros, a edição de 2026 exigirá uma logística e coordenação de segurança em escala muito maior.
O editor de Internacional, Diego Pavão, destacou a natureza inédita da cooperação, ressaltando que nunca antes uma Copa do Mundo foi sediada simultaneamente por três nações. Essa expansão geográfica traz desafios únicos para a sincronização das forças de segurança, que precisam atuar de maneira coordenada, mas respeitando as autonomias internas de cada país. Nos Estados Unidos, por exemplo, o alto grau de autonomia dos estados adiciona complexidade à integração das operações.
Cada país sede apresenta um panorama de ameaças distinto. No México, a principal preocupação recai sobre a atuação de cartéis de drogas e grupos criminosos que disputam território e entram em confronto com as autoridades. Nos Estados Unidos, o foco da segurança estará voltado para a prevenção de ataques de atiradores solitários, dada a ampla disponibilidade de armas de fogo no país. O Canadá, por sua vez, complementa o esforço de segurança com suas próprias estratégias e inteligência.
A estrutura da operação de segurança abrange diversas frentes. Na área de fronteiras e controle de vistos, a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) trabalhará em conjunto com a Agência de Serviços de Fronteira do Canadá (CBSA) e o Instituto Nacional de Migração do México (INM) para a triagem inicial de visitantes. Essa colaboração transfronteiriça é essencial para o fluxo seguro de torcedores e delegações.
No combate ao terrorismo, o FBI (Federal Bureau of Investigation) dos EUA estabelecerá uma cooperação intensa com a Agência de Segurança do Canadá (CSIS). Essa parceria incluirá o compartilhamento de informações sigilosas de inteligência, como dados sobre alvos monitorados, com parceiros internacionais, algo incomum em operações anteriores. A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) também terá um papel fundamental, auxiliando na identificação e rastreamento de indivíduos procurados internacionalmente que possam representar uma ameaça ao evento.
A defesa aérea do continente ficará sob a responsabilidade do Comando Norte-Americano de Defesa Aeroespacial (NORAD), uma organização conjunta entre EUA e Canadá. A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) será encarregada de impor restrições ao espaço aéreo durante os jogos, garantindo a segurança das aeronaves e do público. A dimensão continental do evento e a multiplicidade de ameaças exigem um nível de cooperação e compartilhamento de informações sem precedentes, refletindo a complexidade da segurança em um palco global como a Copa do Mundo.
A organização do evento em território amazônico, embora não seja o caso desta Copa, sempre demanda atenção especial. Cidades como Macapá (AP) e outras localizadas na vasta região amazônica, caso fossem sedes, exigiriam planos de segurança adaptados às suas realidades geográficas e logísticas, com foco em infraestrutura, acesso e monitoramento territorial. A experiência adquirida com a Copa de 2026 poderá servir de base para futuras competições em países com desafios logísticos e de segurança similares aos encontrados na Amazônia Legal.
