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AMIG Brasil Propõe Comitê para Minerais Críticos na América Latina

A Associação Brasileira de Municípios Mineradores (AMIG Brasil) apresentou uma proposta ambiciosa durante o 27º Congresso Mundial de Mineração (WMC 2026), em Lima, Peru: a criação de um comitê latino-americano para harmonizar regras de mineração e desenvolver uma política conjunta para minerais críticos. A iniciativa visa responder ao crescente interesse global por recursos essenciais à transição energética, como lítio e cobre, e fortalecer a posição da região na cadeia produtiva.

Marco Antônio Lage, presidente da AMIG, destacou que a proposta recebeu apoio dos participantes do evento. “O Brasil é uma potência geológica, assim como o Peru, mas essa riqueza não se traduz em benefícios sociais proporcionais. Hoje, grande parte do beneficiamento ocorre fora do país”, explicou. Ele citou a China como exemplo, que domina a extração ou refino de 17 dos 34 minerais considerados críticos pela União Europeia (UE). A meta, segundo Lage, é “mudar essa lógica e agregar valor aos nossos produtos”.

A proposta da AMIG Brasil aborda a necessidade de revisar regras de mineração, tributação, fiscalização e sustentabilidade. A ideia é que os países latino-americanos, que compartilham desafios semelhantes em transformar suas vastas reservas minerais em desenvolvimento econômico e social, possam atuar de forma coordenada. A articulação regional é vista como fundamental para aumentar a agregação de valor à produção mineral, atrair investimentos em beneficiamento e industrialização, e impulsionar o desenvolvimento dos territórios que dependem da atividade mineradora.

A relevância dos minerais críticos para o futuro da economia global é inegável. Esses elementos são a base para tecnologias de energia limpa, como baterias para veículos elétricos, turbinas eólicas e painéis solares, além de componentes eletrônicos e de defesa. A transição energética mundial, impulsionada pelo combate às mudanças climáticas, intensificou a demanda por esses insumos, colocando países ricos em reservas, como os da América Latina, em uma posição estratégica.

No contexto amazônico, a discussão sobre minerais críticos ganha contornos ainda mais relevantes. A região, embora conhecida por sua biodiversidade e florestas, também possui um potencial geológico significativo, com a presença de diversos minerais de interesse estratégico. A exploração sustentável e a agregação de valor local desses recursos poderiam representar uma alternativa econômica importante para o desenvolvimento regional, gerando empregos e renda em estados como Pará (PA), Amazonas (AM) e Tocantins (TO), que possuem áreas com potencial mineral.

No entanto, a extração e o beneficiamento de minerais na Amazônia Legal enfrentam desafios complexos. Questões ambientais, a necessidade de licenciamento rigoroso, a proteção de terras indígenas e comunidades tradicionais, e a infraestrutura logística limitada são fatores que precisam ser cuidadosamente considerados. A proposta de um comitê latino-americano pode servir como plataforma para discutir modelos de mineração que conciliem o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e o bem-estar social, algo crucial para a sustentabilidade da região.

A AMIG Brasil acredita que uma política conjunta pode fortalecer a capacidade de negociação dos países latino-americanos no cenário internacional, permitindo-lhes obter melhores condições na venda de matérias-primas e atrair investimentos para o processamento local. A participação de governos, como o apoio do ministro de Energia e Minas do Peru, Waldir Eloy, citado pela AMIG, é fundamental para dar legitimidade e força à iniciativa. A longo prazo, a estratégia de agregar valor pode não apenas impulsionar o PIB, com projeções indicando um aumento de R$ 243 bilhões até 2050 para o Brasil, mas também promover um modelo de desenvolvimento mais justo e equitativo para as regiões produtoras.

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