O caso chocante de Tainara Souza Santos, 31 anos, arrastada por cerca de um quilômetro após ser atropelada na zona norte de São Paulo, é tratado como tentativa de feminicídio com requintes de crueldade, segundo o delegado da Polícia Civil, Fernando Barbosa Bossa. O agressor, Douglas Alves da Silva, 26 anos, foi preso e a motivação do crime, de acordo com a investigação, foi a não aceitação do término do relacionamento.
Tainara encontra-se hospitalizada no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, com as pernas mutiladas em decorrência da violência. A Secretaria de Saúde não divulgou o estado de saúde da vítima, respeitando o sigilo médico.
De acordo com o delegado, as provas contra Douglas são robustas. Imagens de vídeo registraram o momento do atropelamento e o arrasto, além de testemunhas que conheciam o autor, incluindo um amigo que estava no carro no momento do crime.
As investigações apontam que, antes do crime, houve uma discussão entre Douglas e Tainara em um bar. Douglas, acompanhado de um amigo, entrou no carro e avançou contra a vítima.
“Ele passa o carro por cima dela literalmente e ela fica presa embaixo do carro. Ele puxa o freio de mão e começa a fazer o movimento para poder lesionar mais a vítima, até atentar contra a vida dela. Esse amigo dele, o passageiro, tenta impedi-lo e não consegue”, relatou o delegado.
Após o crime, Douglas arrastou Tainara por cerca de um quilômetro, até ser interrompido pelo amigo que estava no carro.
Cenário Alarmante de Violência Contra a Mulher
O estado de São Paulo registrou, desde janeiro, 207 casos de feminicídio. Somente em outubro, foram 22 vítimas fatais e outras 5.838 mulheres sofreram lesão corporal dolosa.
A advogada Luciane Mezarobba destaca que a violência contra a mulher no Brasil é resultado de uma complexa combinação de fatores, incluindo a tradição patriarcal e a subnotificação dos casos.
“Esta engrenagem acarretou profundas desigualdades históricas, sociais, culturais e políticas em desfavor das mulheres; além disso, há a certeza do agressor de que a vítima não o denunciará – pois ‘o ama’, ele é o pai dos seus filhos, precisa trabalhar para sustentar a família”, explica Mezarobba.
A Lei Maria da Penha define cinco formas de violência doméstica e familiar: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. É fundamental que a sociedade esteja atenta a todas elas e que as vítimas sejam encorajadas a denunciar.
O Que Fazer Diante de Uma Agressão?
Em caso de agressão, a prioridade é garantir a segurança da vítima, afastando-a do agressor. É crucial acionar a rede de apoio e buscar ajuda. A vítima deve procurar a Delegacia da Mulher para registrar a ocorrência, detalhando o ocorrido e apresentando provas, se possível.
A Lei Maria da Penha garante medidas protetivas, como o afastamento do agressor do lar e a proibição de se aproximar da vítima. É importante registrar cada nova ameaça ou agressão, pois a reincidência é comum.
A vítima tem o direito de ser encaminhada a um hospital ou posto de saúde para realizar exame de corpo de delito, receber transporte e acolhimento em abrigo seguro, e ser acompanhada para retirar seus pertences do domicílio familiar. Além disso, pode buscar indenização pelos danos sofridos.
5 Dicas Cruciais Para Combater a Violência Contra a Mulher:
1. Não se cale: Se você é vítima de violência, denuncie. Não tenha medo ou vergonha. Busque ajuda em Delegacias da Mulher, Centros de Referência e outros serviços especializados.
2. Apoie: Se você conhece alguém que está sofrendo violência, ofereça apoio e encoraje a denúncia. Mostre que ela não está sozinha.
3. Informe-se: Conheça seus direitos e os recursos disponíveis para vítimas de violência. A informação é uma ferramenta poderosa para combater esse problema.
4. Eduque: Converse com seus filhos, familiares e amigos sobre a importância do respeito e da igualdade de gênero. Combata o machismo e a cultura da violência.
5. Denuncie: Se você presenciar uma agressão, não se omita. Ligue para a polícia (190) ou para o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher). Sua atitude pode salvar uma vida.
A violência contra a mulher é um problema grave que afeta toda a sociedade. É preciso união e engajamento para combatê-la e construir um futuro mais justo e igualitário para todos.
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