A guerra no Oriente Médio, um conflito que ressoa para além das fronteiras regionais, impôs uma reconfiguração no calendário da temporada de 2026 do Mundial de Endurance (WEC). A categoria, conhecida por suas provas de longa duração que testam os limites da engenharia e da resistência humana, anunciou nesta terça-feira (28) a substituição das etapas inicialmente planejadas para o Catar e o Bahrein. Em seu lugar, corridas em solo europeu, na Espanha e na Itália, assumirão o posto, um reflexo direto dos impactos logísticos e das complexidades das viagens internacionais em cenários de instabilidade.
Originalmente, a prova dos 1812 km do Catar, marcada para março no Circuito Internacional de Lusail, sofreu um adiamento para 24 de outubro. Contudo, o agravamento da situação na região e a subsequente retomada dos ataques, potencializada pelo colapso do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, tornaram inviável a realização dos eventos. O Bahrein, que sediaria o encerramento da temporada em 7 de novembro, também teve sua etapa cancelada. A decisão, comunicada oficialmente pela organização do WEC, enfatiza como eventos geopolíticos globais podem reverberar em nichos específicos, como o automobilismo de alta performance, afetando o transporte de equipamentos e a mobilidade das equipes.
“A temporada de 2026 do Campeonato Mundial de Endurance da FIA será concluída com um par de corridas europeias na Espanha e na Itália, após os contínuos desdobramentos regionais que afetaram a logística de frete e as viagens obrigarem o cancelamento dos eventos planejados no Catar e no Bahrein”, informou o WEC em nota oficial. Essa alteração não é apenas uma mudança de datas e locais, mas um testemunho da fragilidade das cadeias logísticas globais diante de conflitos.
Com a nova configuração, o Circuito de Barcelona-Catalunha, na Espanha, receberá as 6 Horas de Barcelona entre 16 e 18 de outubro. A etapa final da temporada será disputada em Monza, na Itália, com as 6 Horas de Monza, programadas para os dias 6 a 8 de novembro. A escolha por circuitos europeus consolidados visa garantir a operacionalidade e a segurança das últimas provas do campeonato.
Frédéric Lequien, CEO do WEC, expressou a complexidade da decisão. Ele revelou que a categoria acompanhou de perto a evolução do conflito, mantendo uma esperança cautelosa de que as provas pudessem ser realizadas no Oriente Médio. “Temos acompanhado de perto os desenvolvimentos no Oriente Médio nos últimos meses. Algumas semanas atrás, estávamos otimistas quanto à possibilidade de competir no Catar e no Bahrein, mas, infelizmente, a situação atual nos obriga a mudar para um plano alternativo”, declarou Lequien. A necessidade de tomada de decisão antecipada foi crucial para que montadoras, equipes e a própria organização pudessem reorganizar a logística complexa da reta final do campeonato, evitando prejuízos ainda maiores.
Apesar da mudança, que se aplica especificamente à temporada de 2026, Lequien fez questão de agradecer a compreensão dos organizadores do Catar e do Bahrein, reiterando a manutenção de uma relação próxima com ambos os países. A possibilidade de retorno dessas etapas ao calendário nas próximas temporadas é condicionada à estabilização do cenário geopolítico na região. Essa decisão do WEC também lança um olhar sobre outras categorias do automobilismo, como a Fórmula 1, que possui corridas agendadas para o Catar e Abu Dhabi em novembro. A F1, inclusive, já anunciou uma alteração em seu GP do Bahrein, que será disputado excepcionalmente na Malásia, evidenciando o alcance das tensões na região.
