Um estudo recente revelou um retrato preocupante do nível de escolaridade entre pessoas envolvidas com o tráfico de drogas no Brasil. A pesquisa, que coletou dados de quase quatro mil indivíduos em favelas de 23 estados, aponta que a maioria não conclui o ensino médio.
De acordo com o levantamento, apenas 22% dos entrevistados afirmaram ter completado o ensino médio. Uma parcela de 16% chegou a frequentar, mas não finalizou. A situação é ainda mais alarmante quando se observa que 35% não concluíram o ensino fundamental, e 7% não possuem qualquer instrução.
Diante desse cenário, um número significativo dos entrevistados demonstra arrependimento em relação à falta de estudo. Questionados sobre o que fariam diferente em suas vidas, 41% responderam que teriam se dedicado mais aos estudos e buscado uma formação completa.
Essa percepção sobre a importância da educação também se reflete nas aspirações dos entrevistados em relação ao ensino superior. O curso de Direito surge como o mais desejado, com 18% das preferências, seguido por Administração (13%), Medicina/Enfermagem (11%) e Engenharia/Arquitetura (11%).
A pesquisa também abordou a questão da renda, revelando que a falta de acesso à educação e a oportunidades de emprego de qualidade contribui para que grande parte dos envolvidos com o tráfico não consiga obter uma renda superior a dois salários mínimos.
Além da escolaridade e renda, o estudo investigou aspectos familiares e de saúde mental. Constatou-se que 35% dos entrevistados foram criados em famílias tradicionais, enquanto 38% cresceram em famílias monoparentais, lideradas em sua maioria por mães. As figuras maternas, como mães, tias e avós, são apontadas como as pessoas mais importantes na vida desses indivíduos.
No que diz respeito à saúde mental, a pesquisa identificou altos índices de problemas como insônia (39%), ansiedade (33%) e depressão (19%). A ansiedade, em particular, parece estar relacionada à baixa renda e à falta de escolaridade, sendo mais prevalente entre aqueles que ganham até um salário mínimo e entre aqueles que iniciaram, mas não concluíram o ensino superior.
Outro dado relevante é que a maioria dos entrevistados (68%) não sente orgulho do que faz, evidenciando que o envolvimento com o crime muitas vezes é motivado por necessidade e falta de oportunidades. Ao serem questionados sobre os principais problemas do Brasil, eles apontaram a pobreza e as desigualdades (42%) e a corrupção (33%) como os mais urgentes.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
