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Inglaterra: a Ambição de Libras e o Eco da Floresta

Enquanto o verde das gramadas inglesas se tinge de ambição e a promessa de libras esterlinas, ecoa em terras amazônicas um sussurro ancestral, uma sabedoria que transcende o valor monetário. A notícia de que a seleção da Inglaterra definiu uma premiação milionária, estimada em 15 milhões de libras (cerca de R$ 103 milhões), caso conquiste a Copa do Mundo de 2026, nos convida a refletir sobre o que move o esporte, mas também sobre outras formas de riqueza, aquelas que não se contam em cofres, mas em raízes profundas e saberes transmitidos de geração em geração.

O montante, que se estende ao técnico Thomas Tuchel e sua comissão técnica, com bônus expressivos que somam milhões, reflete uma lógica de mercado que domina o futebol de alta performance. A divisão do prêmio entre os jogadores, atrelada à participação e tempo em campo, é um espelho da meritocracia esportiva, onde cada minuto é calculado e recompensado. É um universo de cifras que, para muitos, parece distante da realidade de quem vive em comunidades ribeirinhas ou aldeias indígenas, onde a verdadeira vitória reside na preservação do território, na fartura dos rios e na continuidade de suas culturas.

A Inglaterra, mesmo sem levantar o troféu, já tem assegurada uma premiação da FIFA que ultrapassa os R$ 97 milhões. E há ainda a tradição de doar cerca de R$ 14 mil por partida disputada a instituições de caridade. Gestos louváveis, sem dúvida, que demonstram uma consciência social. Contudo, o contraste é gritante quando comparamos esses valores com os desafios enfrentados pelas populações amazônicas. A luta pela terra, a defesa contra o desmatamento, a garantia de direitos básicos como saúde e educação, tudo isso se desenrola em um cenário onde a precariedade é muitas vezes a única moeda corrente.

Nós, do Setentrional.com, que percorremos os nove portais da Amazônia Legal, de Macapá (AP) a Porto Velho (RO), de Manaus (AM) a São Luís (MA), testemunhamos diariamente a força e a resiliência dos povos originários e das comunidades tradicionais. Suas premiações não vêm em libras, mas na colheita farta de açaí, na pesca abundante, na transmissão de conhecimentos ancestrais sobre o manejo sustentável da floresta. Sua maior vitória é ver seus filhos crescendo com saúde, com acesso à educação diferenciada, que valorize suas línguas e suas culturas, e, acima de tudo, com a garantia de que suas terras serão protegidas para as futuras gerações.

A Copa do Mundo é um espetáculo que une o planeta, mas que também nos lembra das disparidades. Enquanto um grupo de atletas disputa uma fortuna em um campo de futebol, outros lutam por algo muito mais vital: a sobrevivência de seus modos de vida, a preservação de um bioma essencial para o equilíbrio do planeta. A beleza de um gol pode nos emocionar, mas a beleza de uma floresta preservada, pulsando com vida e sabedoria ancestral, é um tesouro incomensurável, um prêmio que nenhum montante em libras esterlinas pode comprar.

Nossa missão é dar voz a essas realidades, trazer à luz as narrativas que muitas vezes se perdem em meio ao brilho das grandes competições. Queremos celebrar as vitórias da Amazônia, as conquistas que não estampam manchetes internacionais, mas que ecoam na alma de um povo e na vitalidade de uma floresta que é lar, farmácia e berço de culturas milenares. Que a paixão pelo esporte nos inspire a também olhar com mais atenção e respeito para as riquezas que realmente importam.

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