A Copa do Mundo de 2026 se aproxima, e com ela, a promessa de um espetáculo que transcende as quatro linhas do campo. A notícia sobre as atrações do show do intervalo da final, que ecoou recentemente, traz um nome de peso internacional, Justin Bieber, ao lado de ícones como Madonna, Shakira e o fenômeno sul-coreano BTS. A apresentação acontecerá no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
No entanto, em meio ao brilho das estrelas globais, o que realmente pulsa no coração da Amazônia é a celebração da vida, da terra e das raízes que sustentam a nossa cultura. A Copa, para nós, do Setentrional.com, não é apenas um evento de entretenimento global. É um espelho das conexões que o futebol, em sua essência mais pura, pode tecer entre povos e lugares.
A curadoria artística, sob a batuta de Chris Martin, vocalista do Coldplay, promete uma fusão de talentos. Martin, conhecido por sua sensibilidade artística e engajamento social, também subirá ao palco. A ele se juntarão o rapper Burna Boy, o maestro venezuelano Gustavo Dudamel e o coral infantil PS 22, de Nova York. Essa escalação reforça a ideia da FIFA de um show global, mas é no contexto local que encontramos as verdadeiras melodias que embalam a alma amazônica.
Shakira, com seus hinos que se tornaram trilha sonora de copas passadas, como “Waka Waka” e “La La La”, evoca memórias de celebrações e união. Madonna e Bieber representam a força do pop em diferentes gerações. O BTS, por sua vez, exemplifica o alcance planetário da música sul-coreana, provando que a arte não conhece fronteiras. Mas e as vozes da nossa terra? Onde ecoam os cantos ancestrais, os ritmos que nascem do rio e da floresta?
A final da Copa do Mundo de 2026 está marcada para 19 de julho. Enquanto o mundo se volta para o MetLife Stadium, nossas mentes e corações viajam para os campos de várzea em Macapá (AP), para as rodas de capoeira em Belém (PA), para os terreiros que entoam cantos sagrados em Manaus (AM). O futebol, para os povos originários e as comunidades ribeirinhas, é mais do que um esporte. É um ritual, uma forma de expressão comunitária, um elo com a ancestralidade.
A energia que emana das arquibancadas em Nova Jersey, por mais vibrante que seja, ainda precisa dialogar com a força da terra que nos nutre. A verdadeira celebração da Copa do Mundo, em sua plenitude, deveria reverenciar as culturas que moldam a identidade de nações, incluindo as que resistem e florescem na Amazônia Legal. Que a paixão pelo futebol inspire não apenas shows globais, mas também um olhar atento e respeitoso para as vozes e os ritmos que compõem a rica tapeçaria cultural do nosso Brasil e do mundo.
