O volume de vendas no comércio varejista brasileiro registrou um leve avanço de 0,1% em maio, na comparação com o mês anterior. Este resultado sucede uma queda de 1,6% observada na passagem de março para abril. As informações são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estabilidade, após o recuo anterior, sugere um cenário de cautela, mas com sinais de recuperação em alguns segmentos. No contexto regional amazônico, onde o acesso a bens e serviços pode apresentar desafios logísticos e de custo, um crescimento, mesmo que modesto, pode ter um impacto significativo na economia local, impulsionando o comércio em cidades como Manaus (AM) e Belém (PA).
Na análise da média móvel trimestral, o varejo apresentou uma retração de 0,2%. Contudo, em outras métricas de comparação, observam-se resultados mais positivos. O setor cresceu 0,4% em relação a maio do ano passado, acumulou uma alta de 1,7% no ano e de 1,4% nos últimos 12 meses. Essa dualidade nos indicadores reflete a complexidade do momento econômico.
“No ano de 2026, o varejo vem crescendo a maioria do tempo”, afirma Cristiano Santos, gerente da pesquisa. “Apenas abril apresentou resultado no campo negativo”. A declaração aponta para uma tendência de recuperação ao longo do ano, com maio mostrando uma capacidade de reverter perdas recentes.
O desempenho em maio foi impulsionado por cinco dos oito setores pesquisados. Destaque para livros, jornais, revistas e papelaria, com um expressivo aumento de 15,2%. Outros setores que apresentaram crescimento incluem tecidos, vestuário e calçados (3,1%), móveis e eletrodomésticos (2,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,4%) e combustíveis e lubrificantes (1,1%). Estes segmentos, que incluem desde bens essenciais a itens de maior valor agregado, demonstram a diversidade na retomada do consumo.
Em contrapartida, três setores registraram quedas: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,7%); hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,5%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,3%). A queda em supermercados, embora percentualmente menor que em outros setores, é um ponto de atenção, visto que este segmento é fundamental para o consumo das famílias, especialmente em regiões com menor poder aquisitivo, como muitas áreas do interior da Amazônia Legal.
Varejo Ampliado
O varejo ampliado, que abrange também os setores de materiais de construção e de veículos e peças, apresentou uma queda de 0,2% em maio. Apesar disso, os materiais de construção tiveram um desempenho positivo de 2,1%, e o setor de veículos e peças avançou 1,8%. Esses setores são importantes indicadores de investimento e confiança na economia. Para a região amazônica, o aquecimento no setor de construção civil, por exemplo, pode estar atrelado a obras de infraestrutura ou ao desenvolvimento imobiliário em polos regionais como Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR).
Em termos de médias móveis trimestrais, o varejo ampliado recuou 0,3%. Na comparação com maio de 2025, a queda foi de 0,6%. No acumulado do ano, o setor registrou alta de 1,3%, e em 12 meses, o crescimento foi de 0,1%. Estes dados indicam uma recuperação mais lenta e desigual no segmento ampliado.
Receita Nominal
A receita nominal do varejo, que reflete os valores de venda sem descontar a inflação, mostrou um cenário mais robusto. Houve crescimento de 0,1% na comparação com abril, alta de 4,4% em relação a maio de 2025, 4,2% no acumulado do ano e 4,8% no acumulado de 12 meses. A receita nominal positiva sugere que, mesmo com volumes de venda contidos, o valor das transações tem se mantido ou aumentado, possivelmente devido a reajustes de preços.
No varejo ampliado, a receita nominal também apresentou resultados positivos, com altas de 0,4% na passagem de abril para maio, 2,3% em comparação com maio do ano passado, 3% no acumulado do ano e 2,8% nos últimos 12 meses. Estes números indicam que, em termos financeiros, o setor varejista, em sua totalidade, tem conseguido manter uma trajetória de crescimento, o que é crucial para a geração de empregos e a atividade econômica em todo o país, incluindo os estados da Amazônia Legal como Pará (PA) e Tocantins (TO).
