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Tarifaço dos EUA Afeta 52% de SP e SC; Amazônia Busca Diversificação

Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram a maior parte do impacto do recente pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos (EUA) ao Brasil. De um total de US$ 7,4 bilhões em vendas brasileiras afetadas pela nova taxação de 25%, aproximadamente US$ 3 bilhões têm origem em São Paulo. Isso representa 41,6% do valor total das exportações brasileiras impactadas, correspondendo a 20% das exportações paulistas direcionadas aos EUA.

A situação de Santa Catarina é ainda mais crítica em termos proporcionais: cerca de 68% das exportações catarinenses para os EUA estão sob ameaça das novas tarifas. Embora a notícia foque nos estados do Sul, é crucial considerar o contexto amazônico. A diversificação de mercados é uma estratégia vital para a economia da Amazônia Legal, que busca reduzir a dependência de poucos compradores e mitigar riscos econômicos. A Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria (MDCI), anunciou um plano de R$ 130 milhões para auxiliar empresas brasileiras a explorarem novos mercados e a fortalecerem sua competitividade internacional.

A ApexBrasil, com sede em Brasília, mas com atuação em todo o território nacional, incluindo as nove unidades federativas da Amazônia Legal (AM, AP, PA, RO, RR, AC, TO, MA), tem um papel fundamental na orientação e no suporte a exportadores. A agência busca identificar oportunidades em países emergentes e em blocos econômicos com menor penetração das exportações brasileiras. Para a Amazônia, que possui um vasto potencial em produtos florestais não madeireiros, agronegócio sustentável e minérios, a diversificação é uma porta de saída para o desenvolvimento econômico com responsabilidade socioambiental.

O setor madeireiro do Paraná também se encontra em alerta. O Brasil é responsável por 30% das importações de madeira dos EUA, e 66,7% dessa fatia tem origem paranaense. “Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana”, comentou Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil. A dependência de um único mercado comprador, como os EUA, expõe a vulnerabilidade da cadeia produtiva da madeira, um setor com presença significativa na região amazônica, especialmente em estados como Pará (PA) e Amazonas (AM).

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) justificou a imposição das tarifas alegando práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil. No entanto, o governo brasileiro refuta veementemente essas justificativas. As novas tarifas, que entraram em vigor no dia 22 de julho, afetam 19,2% do total das exportações brasileiras para os EUA. Essa medida representa um desafio adicional para o agronegócio e a indústria extrativista, setores de grande relevância para a economia da Amazônia Legal.

Outro produto brasileiro impactado é o granito. Os EUA são um grande importador de granito brasileiro, que representa 36% do granito importado pelo país norte-americano. O material é amplamente utilizado na construção civil. “Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%”, reforçou Müller. A dependência de mercados estrangeiros para matérias-primas como o granito, extraído em grande parte em estados como Espírito Santo (ES) – embora este não seja parte da Amazônia Legal, o padrão de dependência é similar –, evidencia a necessidade de fortalecer a indústria de transformação local e buscar novos mercados consumidores para agregar valor aos produtos.

Para a Amazônia Legal, a notícia serve como um alerta sobre a importância de estratégias de diversificação econômica. O investimento em pesquisa e desenvolvimento, a qualificação da mão de obra e a busca por acordos comerciais com países asiáticos e africanos podem ser caminhos para reduzir a vulnerabilidade a choques externos e impulsionar o crescimento sustentável da região.

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