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Sobrecarga Doméstica Expõe Mulheres da Amazônia À Violência

A responsabilidade desproporcional pelo cuidado de filhos, familiares e do lar, historicamente atribuída às mulheres, intensifica sua vulnerabilidade à violência de gênero. Essa análise, baseada em dados e avaliações de especialistas, ganha relevância no contexto da Amazônia Legal, onde as desigualdades sociais e econômicas podem agravar ainda mais essa situação.

A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, busca prevenir e combater a violência doméstica. No entanto, a sobrecarga com o trabalho de cuidado – a organização da casa e o bem-estar dos entes queridos – somada à dependência financeira, psicológica e emocional, cria um ambiente propício para agressões e outras formas de violência contra a mulher.

Thamires da Silva Ribeiro, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em políticas de cuidado, estabelece uma relação direta entre a política de cuidado e o enfrentamento à violência. Segundo ela, mulheres sobrecarregadas com essas tarefas, muitas vezes confinadas ao âmbito privado e sem autonomia econômica, encontram maiores dificuldades para romper ciclos de violência.

“Fica mais difícil de sair das situações de violência”, pontua a especialista. Ela ressalta que as condições são ainda mais críticas para as mulheres negras. “A mulher negra, no Brasil, é o próprio sistema de cuidados. Ela está mais suscetível às expressões da questão social, às desigualdades, também pela nossa formação sócio-histórica”, avalia.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua 2022 corroboram essa percepção. Em média, as mulheres dedicam 21,3 horas semanais a essas atividades, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. Essa disparidade se reflete em todo o território nacional, incluindo as diversas regiões da Amazônia, onde o acesso a serviços de apoio e a oportunidades de trabalho para as mulheres podem ser mais limitados.

A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei 5.069/2024, é vista por Thamires Ribeiro como um avanço na promoção da corresponsabilização social. A expectativa é que, ao reduzir a sobrecarga feminina e garantir acesso à renda, as mulheres desenvolvam mais ferramentas e estratégias para se desvencilharem de situações de violência. Isso é particularmente importante em comunidades ribeirinhas e isoladas da Amazônia, onde redes de apoio podem ser escassas.

Christine Silveira Abdalla, especialista em geriatria e gerontologia e fundadora da ONG Associação Cuidadosa, considera a própria sobrecarga com o trabalho de cuidado uma forma de violência contra as mulheres. “As mulheres de…

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