A economia brasileira apresentou um leve crescimento de 0,1% na passagem de março para abril, segundo as estimativas do Monitor do PIB, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado, divulgado nesta quinta-feira (18), ocorre em um contexto desafiador, marcado pela persistência de juros elevados e pela volatilidade nos preços internacionais do petróleo. Na comparação anual, o avanço foi de 1,8% em relação a abril de 2023.
O estudo da FGV, que abrange os setores da indústria, comércio, serviços e agropecuária, indicou que no trimestre móvel encerrado em abril (fevereiro/março/abril), a expansão acumulada foi de 1,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em uma perspectiva de 12 meses, a economia brasileira registrou um crescimento de 2%.
A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, ressaltou que o desempenho de 0,1% demonstra uma economia que, apesar de enfrentar obstáculos internos e externos, mantém um ritmo estável. “A maior parte dos componentes da economia teve desempenho positivo, indicando certa resiliência em meio ao cenário de juros elevados e aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio”, afirmou Trece.
O cenário de juros altos, com a Taxa Selic em patamares como 14,75% durante a maior parte de abril, é uma estratégia do Banco Central (BC) para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a desestimular o consumo, o que contribui para a moderação dos preços. No final de abril, o BC iniciou um ciclo de cortes, reduzindo a taxa em 0,25 ponto percentual, movimento que se repetiu em maio, levando a Selic para 14,25%.
A cautela do BC nas reduções da taxa básica de juros reflete as incertezas do cenário internacional. O conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo globalmente, impactando diretamente os custos de combustíveis como diesel e gasolina no Brasil. O governo brasileiro implementou medidas, incluindo cortes de tributos e subsídios, para mitigar o impacto desses aumentos nos preços para o consumidor.
Analisando os setores, o Monitor do PIB apontou que, no trimestre móvel até abril, o consumo das famílias cresceu 2,6% em relação ao mesmo período de 2023, atingindo o maior patamar de alta desde fevereiro de 2023. As exportações apresentaram um crescimento expressivo de 9,3%, impulsionadas em cerca de 60% pelo bom desempenho da indústria extrativa, cujas exportações aumentaram 27,8%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos em máquinas e equipamentos, registrou uma expansão de 0,7% no trimestre móvel, marcando a primeira alta após quatro trimestres consecutivos de queda.
No contexto amazônico, embora a notícia não detalhe dados regionais específicos, a economia da região, que abrange estados como Pará (PA), Amazonas (AM), Acre (AC), Rondônia (RO), Roraima (RR), Amapá (AP), Tocantins (TO) e Maranhão (MA), também sente os reflexos das condições macroeconômicas nacionais. O agronegócio, um pilar importante em estados como o Mato Grosso, que faz parte da Amazônia Legal, e o Pará, assim como a indústria extrativa, que é forte em diversos estados amazônicos, são setores sensíveis às variações de juros e ao cenário internacional de commodities. A demanda global por produtos como soja, minério de ferro e petróleo, e os custos de logística para escoamento da produção, influenciam diretamente o desempenho econômico dessas áreas. A resiliência observada na economia brasileira como um todo, mesmo com os desafios, sugere que os setores produtivos da Amazônia também podem estar buscando adaptar-se às condições atuais, embora a infraestrutura e a dependência de mercados externos apresentem desafios adicionais para a região.
