A produção industrial brasileira apresentou um crescimento de 0,7% em abril de 2026, na comparação com o mês anterior (março de 2026), com ajuste sazonal. Este é o quarto resultado positivo consecutivo, acumulando um avanço de 4,4% no período. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).
A recuperação da indústria em abril reflete um movimento de retomada que tem sido observado desde o início do ano. Apesar do avanço recente, o setor ainda se encontra 4,7% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas permanece 12,9% abaixo do pico histórico registrado em maio de 2011. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a indústria brasileira registrou um crescimento de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na análise por grandes categorias econômicas, duas das quatro pesquisadas apresentaram expansão na produção entre março e abril. Além disso, 14 dos 25 ramos industriais investigados também registraram alta. As maiores contribuições positivas vieram dos setores de indústrias extrativas, com 3,1% de crescimento, e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, também com 3,1%. Ambos os setores acumulam cinco meses consecutivos de alta.
Segundo André Macedo, gerente da PIM, as pressões positivas nesses setores foram impulsionadas, no caso das indústrias extrativas, pela produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro. Já na atividade de derivados de petróleo e biocombustíveis, o destaque foi o crescimento na produção de álcool etílico e derivados do petróleo, com ênfase no óleo diesel. A relevância desses setores para a economia brasileira, incluindo estados da Região Amazônica como o Pará e o Amapá (AP), onde a extração de recursos naturais e a produção de combustíveis têm peso significativo, é notória. A demanda por esses insumos é fundamental para o funcionamento de diversas cadeias produtivas, desde o transporte até a agricultura.
Outras atividades industriais que apresentaram contribuições positivas importantes para o resultado geral em abril incluem produtos de borracha e material plástico (3,1%), produtos de madeira (8,5%), produtos têxteis (4,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,2%). O crescimento na produção de madeira, por exemplo, pode estar associado a um aumento na demanda por materiais de construção e móveis, setores que se beneficiam da retomada econômica em diversas regiões do país.
Por outro lado, 11 das 25 atividades industriais registraram queda na produção. O setor de produtos químicos (-3,9%) exerceu a principal influência negativa no resultado geral do mês. Outros setores que também impactaram negativamente a produção industrial foram os de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%) e metalurgia (-1,0%). A desaceleração na produção de veículos, por exemplo, pode indicar desafios na cadeia de suprimentos ou uma menor demanda sazonal.
A diversidade de desempenho entre os setores demonstra a complexidade do cenário econômico atual. Enquanto alguns segmentos, como o extrativo e o de biocombustíveis, mostram forte recuperação, outros enfrentam dificuldades. A análise desses dados é crucial para a formulação de políticas públicas que visem o fortalecimento da indústria nacional, especialmente em regiões com forte vocação industrial, como os polos de Manaus (AM) ou a cadeia produtiva ligada ao agronegócio no Centro-Oeste, que impactam indiretamente a economia amazônica.
A continuidade desses avanços dependerá de fatores como a estabilidade econômica, o acesso a crédito, a política cambial e a demanda interna e externa. O IBGE continuará monitorando esses indicadores para fornecer um panorama completo da evolução da indústria brasileira.
