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Fotógrafa da Agência Brasil É Homenageada por Retratar Lutas Indígenas

A fotojornalista Tânia Rêgo, da Agência Brasil, foi agraciada com uma menção honrosa no Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente e Direito dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais. A distinção foi concedida pelo conjunto de imagens da reportagem “Áreas de retomada guarani em MS enfrentam dificuldades e violência”, que documenta a realidade de comunidades em Mato Grosso do Sul.

Durante a cerimônia de premiação, realizada em 11 de abril, Tânia Rêgo ressaltou a importância da comunicação pública na cobertura de povos indígenas e suas comunidades. A reportagem premiada aborda a retomada da área Guapo’y Mirin Tujury, localizada no Mato Grosso do Sul, que, segundo a fotógrafa, enfrentou um violento episódio de massacre, resultando na morte de um indígena e ferimentos em dois menores.

“Quando a gente chegou lá, eles tinham sofrido um massacre em que um indígena tinha sido morto e dois menores tinham sido atingidos”, relatou Tânia Rêgo, descrevendo o momento de grande tensão e medo. Ela mencionou a apreensão das comunidades em relação à remoção do corpo do indígena para autópsia, temendo que o corpo pudesse desaparecer. “Era um momento tenso e de grande importância”, relembrou a profissional.

Visivelmente emocionada, Tânia Rêgo destacou que, embora a fotografia seja um ato individual, ela é sustentada por uma equipe. Para ela, o ato de reportar e defender os povos indígenas e tradicionais está intrinsecamente ligado à defesa do meio ambiente. “Os indígenas das retomadas são povos que sofrem todo tipo de violência, o tempo inteiro. Então, esse tipo de violência física, de matar, violências psicológicas diárias, violências da polícia militar, dos fazendeiros. De todos os lados. E eles são, realmente, guerreiros e precisam ser visibilizados”, afirmou.

A Amazônia Legal, que abrange nove estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, é palco de constantes conflitos envolvendo terras indígenas e comunidades tradicionais. A disputa por territórios, muitas vezes motivada por interesses econômicos ligados ao agronegócio e à exploração de recursos naturais, gera um cenário de vulnerabilidade e violência para essas populações. A atuação de jornalistas como Tânia Rêgo é fundamental para trazer à tona essas realidades, muitas vezes ignoradas pela grande mídia. A cobertura no interior da região, que muitas vezes carece de acesso a informações de qualidade, torna-se ainda mais relevante com reportagens que dão voz a quem vive na linha de frente dessas lutas.

Na mesma cerimônia, a Radioagência Nacional obteve o terceiro lugar na categoria iniciativa de educação midiática com o podcast “Crianças Sabidas – Série Trilhinhas Amazônicas”. Este prêmio, que homenageia os jornalistas Dom Phillips e Bruno Pereira, mortos em 2022 enquanto cobriam questões ambientais e indígenas na Amazônia, reforça a importância do jornalismo investigativo e de direitos humanos na região amazônica.

Tânia Rêgo e a Agência Brasil já haviam sido reconhecidas em outras ocasiões. No ano anterior, o fotógrafo Marcelo Camargo recebeu menção honrosa no prêmio da Sociedade Interamericana de Imprensa (IAPA) por sua série “Ancestral Firefighters”, sobre brigadistas quilombolas no Pantanal. Em 2024, dois fotógrafos da Agência Brasil foram vencedores da 41ª edição do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo.

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