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Fé e Arte no Asfalto: Fiéis Celebram Corpus Christi na Amazônia

Macapá (AP) – Sob um céu que alternou entre nuvens e sol, fiéis de diversas paróquias e comunidades em Macapá (AP) dedicaram a madrugada e o início da manhã desta quinta-feira (30) à tradicional confecção dos tapetes de Corpus Christi. A manifestação de fé, que colore as ruas da capital amapaense anualmente, reuniu centenas de devotos, que, com serragem, borra de café e sal grosso colorido, transformaram o asfalto em obras de arte efêmeras. A celebração é uma das mais significativas no calendário litúrgico da Igreja Católica, com forte expressão em diversas regiões do Brasil, incluindo a Amazônia Legal.

Em Macapá, a expectativa para a celebração começou dias antes, com a arrecadação de materiais e o planejamento dos desenhos. A chuva que caiu em alguns pontos da cidade durante a madrugada, embora tenha gerado um breve atraso, não arrefeceu o ânimo dos participantes. Pelo contrário, em muitos relatos, a água serviu para umedecer a serragem, facilitando o manuseio e a compactação dos materiais, o que permitiu que os trabalhos fossem retomados com vigor assim que as condições climáticas se mostraram mais favoráveis.

As avenidas e ruas centrais, especialmente aquelas no entorno da Catedral de São José, foram o palco principal para a montagem dos tapetes. Famílias inteiras, grupos de jovens de pastorais e movimentos católicos, e até mesmo moradores de bairros mais distantes, uniram-se em um esforço coletivo. A criatividade se manifestou em desenhos que variavam desde os símbolos tradicionais da Eucaristia, como o cálice e a hóstia, até representações de paisagens amazônicas, elementos da cultura local e mensagens de esperança e paz, refletindo a diversidade e a identidade da região.

O sal grosso, tingido com cores vibrantes através de corantes alimentícios ou naturais, foi o principal elemento para a criação das imagens. A serragem, a borra de café e outros materiais orgânicos serviram como base e preenchimento, demonstrando a capacidade de adaptação e o uso de recursos disponíveis na Amazônia. A organização dos tapetes, que se estenderam por centenas de metros, envolveu um planejamento logístico cuidadoso, coordenado pelas paróquias em parceria com a Arquidiocese de Macapá.

Dom Luiz Carlos, arcebispo de Macapá, acompanhou de perto os trabalhos, cumprimentando os fiéis e ressaltando a importância da fé expressa de forma comunitária. “Este é um momento de profunda espiritualidade, onde manifestamos nossa devoção de maneira visível e coletiva. A arte que vemos nas ruas é um reflexo da nossa fé e da nossa união como Igreja e como povo. Na Amazônia, essa expressão ganha contornos ainda mais especiais, pois integramos nossa fé com a beleza e a força da nossa terra”, declarou o arcebispo.

A confecção dos tapetes de Corpus Christi em Macapá não é apenas uma atividade religiosa, mas também um evento cultural que movimenta a cidade e atrai a atenção de moradores e turistas. A tradição, herdada de gerações, reforça os laços comunitários e a identidade religiosa da população, que, apesar dos desafios impostos pelo clima e pela logística, demonstra um compromisso inabalável com a celebração. A expectativa agora se volta para a procissão que percorrerá os tapetes, levando a imagem de Cristo Eucarístico pelas ruas decoradas, em um ato público de fé e adoração.

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