Centenas de estudantes universitários em diversas cidades da Amazônia Legal se mobilizaram nesta semana em protesto contra os cortes de verbas destinados às instituições de ensino superior públicas. A manifestação, que ecoa os protestos já ocorridos em outras regiões do país, como São Paulo, levanta preocupações sobre a qualidade da educação, a pesquisa científica e as políticas de permanência para alunos em vulnerabilidade socioeconômica na região.
Na capital do Amazonas, Manaus (AM), estudantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) ocuparam a Reitoria da instituição, exigindo um posicionamento claro do governo federal e da gestão universitária sobre o futuro do financiamento da educação superior. Cartazes com frases como “Educação não é gasto, é investimento” e “Cortes na educação afetam o futuro da Amazônia” foram exibidos durante a caminhada que percorreu as principais avenidas da cidade.
Em Belém (PA), a Universidade Federal do Pará (UFPA) também foi palco de manifestações. Os alunos destacam que a Amazônia, por sua vasta dimensão territorial e desafios socioeconômicos específicos, necessita de um investimento ainda maior em suas universidades. “Não podemos permitir que os cortes afetem diretamente a pesquisa voltada para os problemas da nossa região, como o desmatamento, a bioeconomia e a saúde pública amazônica”, afirmou um dos líderes estudantis presentes no ato.
A situação se repete em outras capitais como Rio Branco (AC), Porto Velho (RO) e São Luís (MA), onde estudantes de instituições como a Universidade Federal do Acre (UFAC), a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) organizaram atos pacíficos. As pautas são comuns: a garantia de recursos para a manutenção das atividades acadêmicas, o fortalecimento dos programas de assistência estudantil – fundamentais para garantir a permanência de alunos de baixa renda – e a retomada de investimentos em infraestrutura e pesquisa.
Os estudantes argumentam que a redução de verbas impacta diretamente a qualidade do ensino, a capacidade de realizar pesquisas de ponta e a oferta de bolsas de auxílio que permitem a muitos jovens da região cursar o ensino superior. “Muitos de nós viemos de comunidades ribeirinhas, de áreas remotas. Sem o auxílio permanência, sem restaurantes universitários funcionando adequadamente, sem laboratórios equipados, fica impossível continuar os estudos”, desabafou uma estudante da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).
O contexto amazônico torna a questão ainda mais sensível. As universidades da região são polos de desenvolvimento científico e tecnológico, essenciais para a busca de soluções para os complexos desafios ambientais, sociais e econômicos que a Amazônia enfrenta. Cortes orçamentários podem comprometer pesquisas vitais para a sustentabilidade da floresta e o bem-estar de suas populações.
Representantes estudantis de diversas instituições da Amazônia Legal anunciaram que as mobilizações continuarão até que haja um diálogo efetivo com o Ministério da Educação (MEC) e as reitorias das universidades. Eles esperam que o governo federal reconsidere os cortes e garanta um financiamento adequado para que as universidades públicas da região possam continuar cumprindo seu papel fundamental no desenvolvimento científico, social e cultural do Brasil, especialmente na Amazônia.
