A economia brasileira registrou um crescimento de 0,7% entre abril e maio, segundo o Monitor do PIB, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). No trimestre encerrado em maio, a alta acumulada foi de 1,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior, elevando a variação positiva de 12 meses para 1,7%.
Os dados, baseados em estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de informações da indústria, comércio, serviços e agropecuária, indicam uma retomada após um recuo em abril e estabilidade em março. O desempenho mensal de maio foi puxado principalmente pelo consumo das famílias, que avançou 3,3% no trimestre até maio, atingindo o maior patamar desde o fim de 2024. Mais de 60% desse crescimento vieram do consumo de serviços e de bens duráveis.
A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa da FGV, ressaltou que o consumo das famílias foi o principal motor do resultado positivo. No entanto, ela alertou para algumas fragilidades observadas. “O crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e, apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano”, explicou Trece.
A dependência do crescimento nesse componente, o consumo das famílias, é um ponto de atenção, especialmente porque as exportações e os investimentos apresentaram quedas. “Com isso, conclui-se que, embora a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que começam a aparecer no resultado”, avaliou a economista.
No contexto amazônico, a dinâmica econômica pode apresentar particularidades. O consumo de bens e serviços, mesmo em nível nacional, reflete as cadeias produtivas e a distribuição de renda. Para regiões como a Amazônia Legal, que abrange nove estados, o desempenho do comércio varejista e dos serviços é crucial para a geração de empregos e a movimentação da economia local. Dados sobre o consumo em estados como Pará (PA), Amazonas (AM) e Acre (AC) podem indicar se a alta nacional se reflete de forma homogênea ou se há variações significativas.
As exportações registraram um crescimento de 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2025. A indústria extrativa mineral, um setor relevante para a economia de alguns estados da Amazônia, como o Pará, apresentou um crescimento significativamente inferior ao observado no início do ano, o que contribuiu para a redução do avanço geral das exportações.
Por outro lado, as importações cresceram 8,9%, marcando o terceiro trimestre consecutivo de alta. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento na economia, como a construção civil e a compra de máquinas e equipamentos, também apresentou um desempenho a ser monitorado. Investimentos em infraestrutura e em setores produtivos são vitais para o desenvolvimento sustentável da região amazônica, impactando diretamente na geração de valor agregado e na criação de oportunidades de trabalho.
A análise da FGV aponta para um cenário de crescimento moderado, com sinais de desaceleração em alguns setores e uma forte dependência do consumo das famílias. Para a Amazônia Legal, é fundamental que políticas públicas e investimentos privados busquem diversificar a economia, fortalecer as cadeias produtivas locais e promover um desenvolvimento que seja, ao mesmo tempo, economicamente viável e ambientalmente sustentável, garantindo que os benefícios do crescimento cheguem à população, incluindo aquela que vive em municípios mais remotos como Macapá (AP) e Manaus (AM).
