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Desertificação Ameaça 39 Milhões de Brasileiros e a Segurança Hídrica

Um cenário preocupante se desenha no Brasil: aproximadamente 39 milhões de brasileiros residem em áreas sob a ameaça iminente da desertificação. Este fenômeno, que pode parecer distante para muitos, impacta diretamente populações vulneráveis como sertanejos, agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros, comprometendo a segurança hídrica e alimentar em escala nacional. Embora o Brasil não possua desertos no sentido estrito, como o Saara ou o Atacama, o conceito de desertificação abrange um processo mais amplo de degradação ambiental em terras outrora produtivas.

A perda da capacidade de reter água e sustentar vida em um ecossistema é o cerne da desertificação. Este processo é impulsionado tanto por atividades humanas, como o desmatamento e práticas agrícolas inadequadas, quanto por variações climáticas. Quanto mais avança a degradação, maior o risco de uma região se tornar árida e improdutiva, com consequências severas para o meio ambiente e para as comunidades que dependem desses solos.

Segundo o boletim mais recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cerca de 18% do território brasileiro é classificado como Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD). Este dado ressalta a extensão do problema e a necessidade urgente de ações coordenadas.

Representantes da sociedade civil e órgãos governamentais brasileiros participaram da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada na Mongólia. O evento foi crucial para discutir obstáculos e buscar soluções para reverter ou mitigar os efeitos da desertificação no país. Ivi Aliana, coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), enfatizou que as populações mais vulneráveis e as comunidades tradicionais são as primeiras a sentir os impactos diretos da degradação ambiental, especialmente na disponibilidade de água e na biodiversidade local.

“Elas são as primeiras a sentir os efeitos, porque lidam diretamente com os impactos na água e na biodiversidade no território”, afirmou Aliana. Ela ressaltou, contudo, que os efeitos da degradação da terra transcendem as fronteiras das comunidades afetadas. “Parece um problema distante para alguns, mas a desertificação afeta a produção de alimentos, a segurança hídrica, a economia, influencia no aumento do calor. E tudo isso vai além das áreas degradadas. Tem impactos tanto no campo quanto nas cidades brasileiras”, explicou.

Os dados nacionais compilados entre os anos de 2000 e 2020 revelam um aumento alarmante na área afetada pela desertificação no Brasil. A extensão saltou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados, um acréscimo de 170 mil km² – área equivalente à soma dos territórios de Pernambuco (PE), Paraíba (PB) e Alagoas (AL). Este avanço territorial da desertificação é particularmente preocupante na Amazônia Legal, onde o desmatamento e as mudanças climáticas exacerbam a vulnerabilidade dos ecossistemas. Estados como Pará (PA) e Maranhão (MA) já apresentam extensas áreas sob risco, impactando diretamente a vida de comunidades ribeirinhas e agricultores familiares que dependem dos ciclos hídricos e da fertilidade do solo para sua subsistência. A perda de florestas na região amazônica não só acelera a desertificação, mas também afeta o regime de chuvas em outras partes do Brasil, evidenciando a interconexão dos biomas e a magnitude dos impactos ambientais.

O fenômeno, embora mais concentrado nos nove estados do Nordeste, estende-se para o norte de Minas Gerais (MG) e do Espírito Santo (ES), o nordeste do Rio de Janeiro (RJ) e o noroeste do Mato Grosso do Sul (MS). Nessas regiões, os climas predominantes são o subúmido seco, o semiárido e o árido, classificados com base na quantidade de chuva e na taxa de evaporação, utilizando o índice de aridez.

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