A Amazônia Legal, vasta região que abrange nove estados brasileiros, enfrenta desafios crescentes que ecoam as dificuldades de nômades em outras partes do mundo, como na Mongólia. A degradação do solo, eventos climáticos extremos e a escassez de recursos hídricos colocam em risco modos de vida tradicionais que dependem intrinsecamente da saúde dos ecossistemas regionais.
Assim como os pastores nômades da Mongólia, que observam com preocupação os sinais de seca e invernos rigorosos que dizimam seus rebanhos, comunidades ribeirinhas, indígenas e extrativistas na Amazônia veem suas rotinas e sustento ameaçados. A alteração dos regimes de chuva, com períodos de estiagem mais longos e intensos, seguida por inundações devastadoras, impacta diretamente a agricultura de subsistência, a pesca e a coleta de produtos florestais, atividades essenciais para a subsistência de milhões de pessoas.
A desertificação e a degradação do solo, problemas que afetam cerca de 70% do território mongol, também são uma realidade preocupante em diversas áreas da Amazônia. O uso insustentável da terra, o desmatamento para a expansão da agropecuária e a mineração indiscriminada aceleram a perda de fertilidade do solo, comprometendo a capacidade de regeneração da vegetação nativa. Essa degradação dificulta o cultivo de alimentos e a manutenção de pastagens para a criação de gado, atividade que, quando praticada de forma extensiva e sem planejamento, também contribui para o problema.
A exemplo da Mongólia, onde a morte de animais em invernos extremos (dzud) é uma tragédia recorrente, a Amazônia também sofre com eventos climáticos extremos. Secas prolongadas, como as que já afetaram severamente estados como o Amazonas (AM) e Pará (PA), causam escassez de água potável, prejudicam a navegação fluvial – principal via de transporte e escoamento de produção na região – e aumentam o risco de incêndios florestais. Por outro lado, chuvas torrenciais e inundações repentinas, como as frequentemente observadas em áreas de várzea no Acre (AC) e Rondônia (RO), destroem plantações, alagam comunidades e causam prejuízos incalculáveis.
A pressão sobre os recursos naturais na Amazônia, impulsionada por fatores econômicos e sociais, intensifica esses problemas. A busca por novas áreas para cultivo, a exploração madeireira e a expansão urbana desordenada levam à fragmentação de habitats e à redução da biodiversidade, enfraquecendo a resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas. A falta de acesso a tecnologias sustentáveis e a políticas públicas eficazes para a conservação e o uso racional dos recursos agrava ainda mais a situação.
Assim como Batchuluun Maamun, o pastor mongol que espera soluções da COP17, as comunidades amazônicas anseiam por ações concretas que garantam a preservação de seus territórios e de seus modos de vida. A necessidade de respeitar a natureza e de garantir que as futuras gerações aprendam sobre a importância da conservação ambiental é um apelo universal. Na Amazônia, isso se traduz na urgência de fortalecer a fiscalização contra o desmatamento e a grilagem, promover práticas agrícolas sustentáveis, garantir os direitos territoriais dos povos indígenas e ribeirinhos, e investir em pesquisa e desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade local. A conferência sobre desertificação na Mongólia, embora distante geograficamente, serve como um lembrete da interconexão global dos desafios ambientais e da necessidade de cooperação para encontrar caminhos que conciliem o desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente e a garantia da sobrevivência de comunidades tradicionais em todo o planeta.
