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Câncer de Pulmão: 90% dos Casos no Brasil São Diagnosticados em Estágio Avançado

A grande maioria dos casos de câncer de pulmão diagnosticados no Brasil chega aos serviços de saúde em fases avançadas da doença, o que compromete significativamente as chances de cura. Segundo dados recentes, cerca de 90% dos pacientes recebem o diagnóstico nos estágios 3 ou 4, quando o tumor já se espalhou pelo organismo ou atingiu um tamanho considerável.

Uma análise realizada pela plataforma Data Câncer 360º, do Instituto Lado a Lado pela Vida, revelou que, em 2023, de um total de 14.145 diagnósticos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) com estadiamento identificado, 89,6% (equivalente a 7.267 pacientes) foram detectados nos estágios 3 (2.015 pessoas) ou 4 (5.252). Esses estágios avançados geralmente indicam metástase ou tumores localmente extensos, para os quais as opções de tratamento curativo são limitadas.

Em contrapartida, apenas 698 pacientes (10,4%) tiveram o tumor descoberto nas fases iniciais da doença, sendo 307 no estágio 1 e 391 no estágio 2. Esses estágios iniciais são cruciais para o sucesso do tratamento, frequentemente permitindo abordagens menos invasivas e com maior probabilidade de erradicação completa do câncer.

O oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, aponta que o avanço dos diagnósticos em fases tardias está diretamente ligado à exposição crescente a fatores de risco. No contexto amazônico, assim como em outras regiões do país, o tabagismo continua sendo um dos principais vilões, associado a outros hábitos de vida pouco saudáveis como o sedentarismo, a obesidade e uma alimentação inadequada. Estes fatores, quando combinados, aumentam a vulnerabilidade da população ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, incluindo o de pulmão, que é um dos mais incidentes.

“Isso expõe, obviamente, a população brasileira cada vez mais ao risco de desenvolver câncer. O câncer de pulmão é um dos mais incidentes”, alertou Morbeck em entrevista.

Diante deste cenário preocupante, o médico enfatiza a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Ele recomenda que todas as pessoas, especialmente aquelas com fatores de risco como tabagistas e ex-tabagistas, realizem uma tomografia computadorizada anual. Morbeck ressalta que este exame está disponível gratuitamente no SUS, tornando o acesso mais viável para a população, inclusive para os moradores de regiões mais remotas da Amazônia Legal, onde o acesso a serviços de saúde pode ser um desafio.

Um dos grandes obstáculos identificados é a ausência de um programa nacional de rastreamento específico para o câncer de pulmão, semelhante aos existentes para outros tipos de câncer. A doença é frequentemente descrita como silenciosa, pois seus sintomas iniciais podem ser facilmente confundidos com quadros mais comuns e menos graves, como tosse persistente, falta de ar, bronquite, asma ou até mesmo uma gripe mais forte. Essa semelhança sintomática leva muitos pacientes a adiarem a busca por avaliação médica, permitindo que a doença progrida sem detecção.

O estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida reforça o alarme, evidenciando que a realidade brasileira, com quase 90% dos casos chegando ao SUS em estágios avançados, reflete e, em alguns aspectos, agrava a situação mundial. O oncologista alerta que este quadro expõe gargalos significativos no acesso aos serviços de saúde e na conscientização sobre a doença, um desafio que se estende por todo o território nacional, incluindo os estados da Amazônia Legal como AM, PA, AC, RO, RR, AP e TO.

Igor Morbeck defende a adoção de políticas públicas mais eficazes e a mobilização da sociedade para a prevenção, com foco especial em tabagistas ativos e naqueles que pararam de fumar nos últimos 15 anos, período em que o risco ainda se mantém elevado. Sociedades médicas brasileiras, como as de cardiologia e oncologia, também endossam a necessidade de ações conjuntas para combater o câncer de pulmão, mas lamentam que as políticas públicas nem sempre acompanhem essa urgência.

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