Belém (PA) – Enquanto o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emite alertas de ventos fortes com rajadas que podem atingir até 100 km/h para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a região amazônica, vasta em extensão e diversidade climática, segue sem previsões específicas de eventos extremos de mesma magnitude divulgadas pelo órgão federal. A atenção meteorológica se concentra no Sudeste, onde o risco de queda de árvores, destelhamento de casas e danos gerais em edificações e plantações é iminente.
O alerta do Inmet, válido para esta sexta-feira (21) e estendido pela Defesa Civil estadual do Rio de Janeiro até a madrugada de sábado (22), abrange 69 cidades, sendo 14 em São Paulo e 55 no Rio de Janeiro. As áreas mais afetadas incluem o sul fluminense, centro fluminense, norte fluminense, baixadas, regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo, e o Vale do Paraíba paulista. A passagem de uma frente fria continental é apontada como a causa das intensas rajadas de vento.
Em resposta à previsão, a prefeitura do Rio de Janeiro determinou o fechamento de parques públicos municipais no fim da manhã. A cidade encontra-se no estágio 2 de alerta, em uma escala que vai até 5. O prefeito carioca, Eduardo Cavaliere, utilizou as redes sociais para orientar a população, informando sobre a medida e a emissão de alertas para aparelhos de telefonia celular. O Alerta Rio, serviço de meteorologia da prefeitura, prevê as rajadas mais fortes para o fim da manhã e início da tarde.
O Inmet recomenda que, em caso de rajadas de vento, a população evite abrigar-se debaixo de árvores, devido ao risco de queda e descargas elétricas, e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Em situações de emergência, os contatos para socorro são a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (199).
Contexto Amazônico: A ausência de alertas similares para a Amazônia Legal, uma região que abrange nove estados brasileiros e possui características climáticas próprias, levanta questionamentos sobre a abrangência e o foco das previsões meteorológicas de eventos extremos. Embora o fenômeno El Niño tenha sido associado a mudanças climáticas na região, como secas mais intensas e cheias prolongadas, a comunicação sobre riscos iminentes de ventos de alta velocidade, como os previstos para o Sudeste, não tem a mesma visibilidade ou detalhamento para os estados amazônicos. A Amazônia, com sua vasta cobertura vegetal, é particularmente suscetível a danos causados por ventos fortes, que podem resultar na queda de árvores, bloqueio de estradas, interrupção de serviços essenciais e riscos à vida, especialmente em comunidades ribeirinhas e áreas de ocupação mais precária. A cobertura jornalística, ao priorizar eventos em outras regiões, pode deixar a população do interior da Amazônia menos informada sobre potenciais perigos climáticos.
Eventos passados no Rio de Janeiro servem como lembrete dos impactos potenciais. Em 29 de julho, um vendaval com rajadas de até 105 km/h causou interrupções em aeroportos, trens e metrôs, além de quedas de árvores que paralisaram o trânsito e deixaram centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica. Na capital fluminense, duas mortes foram registradas devido ao desabamento de um muro. Em 7 de agosto, outra previsão de temporal levou à liberação de funcionários e orientações para evitar deslocamentos, mas sem registro de danos por ventos.
A falta de alertas detalhados para ventos extremos na Amazônia pode refletir desafios na modelagem meteorológica para a região ou uma priorização distinta na comunicação de riscos. No entanto, para os moradores de cidades como Manaus (AM), Belém (PA), Macapá (AP), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Boa Vista (RR), São Luís (MA) e Palmas (TO), a compreensão dos riscos meteorológicos é fundamental para a segurança e o bem-estar, especialmente considerando a vulnerabilidade de muitas comunidades amazônicas a fenômenos naturais.
