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Operação Midas Reverso: PC AP Prende 8 em Combate ao Tráfico e Lavagem

MACAPÁ (AP) — A Polícia Civil do Amapá (PC AP), através da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), deflagrou a Operação Midas Reverso, resultando na prisão de oito indivíduos, sendo cinco mulheres e três homens. A ação policial visou desarticular uma facção criminosa com atuação em âmbito nacional e que operava no estado, com foco no tráfico de drogas, porte ilegal de armas e lavagem de dinheiro.

A investigação teve início após a prisão em flagrante de um homem de 23 anos no bairro Ipê, zona norte de Macapá (AP). Na ocasião, foram apreendidas porções de crack, um tablete de cocaína e armamento bélico, incluindo dois fuzis de fabricação israelense, calibre .30, seis carregadores e munições de grosso calibre. A informação foi divulgada pela PC AP.

Com autorização judicial para quebrar o sigilo de dados, a equipe da Denarc analisou o conteúdo de aparelhos celulares e mídias eletrônicas apreendidos. As evidências permitiram o mapeamento da estrutura organizacional e da divisão de tarefas do grupo criminoso, conforme detalhado em inquérito policial.

Segundo a apuração da PC AP, a organização operava de forma compartimentada. A estrutura criminosa possuía quatro frentes de atuação:

  • Logística e refino: O indivíduo detido no bairro Ipê era apontado como operador central na distribuição de crack e cocaína na capital. Ele também seria o responsável pelo armazenamento de armamento restrito e pelo refino de entorpecentes.
  • Comando à distância: A liderança estadual da facção criminosa atuava remotamente. Um dos principais investigados, foragido da justiça, estaria refugiado no Rio de Janeiro (RJ), de onde gerenciava, em conjunto com outro integrante da cúpula, rotas de fornecimento, valores de cargas e estratégias de cobrança.
  • Rede de distribuição: A PC AP identificou gerentes e operadores responsáveis pela distribuição de entorpecentes em pontos de venda em bairros da capital amapaense, incluindo Buritizal, Santa Rita, Novo Horizonte, Brasil Novo, Açaí e Jardim Felicidade.
  • Lavagem de capitais: Para legalizar os recursos obtidos ilicitamente, o grupo utilizava empresas de fachada no comércio varejista, como lojas de vestuário. O esquema envolvia também a utilização de empregos formais fictícios e contas bancárias de terceiros, os chamados “laranjas”, para movimentar valores significativos via PIX entre o Amapá (AP) e o Pará (PA).

Os oito indivíduos presos na Operação Midas Reverso responderão por crimes como promoção, constituição e integração de organização criminosa armada, associação para o tráfico, tráfico ilícito de entorpecentes, posse e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e lavagem de capitais, de acordo com a PC AP.

A denominação da operação, Midas Reverso, é uma alusão irônica ao mito do Rei Midas. Na narrativa policial, o nome busca representar a ação da lei em desconstituir os lucros e as estruturas criminosas, em contraposição à capacidade de Midas de transformar tudo em ouro.

A PC AP informou que a operação contou com o cumprimento de 15 mandados judiciais, entre prisões e de busca e apreensão. As investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos e desarticular completamente a atuação da facção no estado.

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