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Acre Conhece Bioeconomia Sustentável na Colômbia em Encontro GCF

Noticias do Acre

O Governo do Acre, por meio de uma delegação multifacetada que incluiu a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), a Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) e o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), marcou presença na 16ª Reunião Anual da Força-Tarefa de Governadores sobre Clima e Florestas (GCF Task Force). O evento de abrangência internacional, que aconteceu em Florencia, no Departamento de Caquetá (Colômbia), teve como principal objetivo o intercâmbio de experiências e o aprofundamento de estratégias para o desenvolvimento de uma nova economia florestal sustentável, crucial para a ação climática e o desenvolvimento territorial na Amazônia. A comitiva acreana esteve imersa nas discussões e visitas de campo entre os dias 18 e 22 de março, absorvendo conhecimentos valiosos para aprimorar as políticas ambientais e sociais do estado amazônico.

Com o lema “Nova Economia Florestal para a Ação Climática: Desenvolvimento Territorial e Inovação”, a edição de 2024 da GCF Task Force direcionou seus debates para a implementação de políticas públicas eficazes que visem não apenas à preservação das florestas tropicais, mas também à recuperação de áreas degradadas. Paralelamente, buscou-se impulsionar a geração de emprego e renda de forma alinhada aos princípios da sustentabilidade nos vastos territórios que compõem a Amazônia Legal. O encontro reuniu um espectro diversificado de participantes, incluindo importantes lideranças climáticas de governos subnacionais e nacionais, representantes dos povos indígenas e comunidades locais, organizações da sociedade civil e atores relevantes do setor privado. A riqueza dos debates concentrou-se no fortalecimento da economia florestal, considerada um pilar para o enfrentamento das complexas mudanças climáticas que afetam o planeta.

Delegação Acreana em Foco

A representação do Acre no evento demonstrou o compromisso do estado com a agenda climática global e o desenvolvimento regional sustentável. A comitiva foi liderada por figuras chave da administração pública, evidenciando a transversalidade das pautas ambientais e sociais. Estiveram presentes o secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho; a secretária extraordinária dos Povos Indígenas, Francisca Arara; e a presidente do IMC, Jaksilande Araújo. Completando a equipe técnica, o diretor da Sema, Ericsson Cameli, e os assessores Sabrina Gondim, Thales Augusto Moreno e Andréia Nobre contribuíram para o aprofundamento das discussões e a representação qualificada do estado em todas as atividades propostas pela Força-Tarefa de Governadores. A diversidade de expertise na delegação permitiu uma análise abrangente e a troca de conhecimentos em diferentes frentes de atuação.

Imersão em Modelos Sustentáveis: Agrofloresta e Meliponicultura

Um dos pontos altos da programação foi a visita de campo realizada durante o terceiro dia do evento, em 20 de março. Os gestores da Sema tiveram a oportunidade ímpar de conhecer de perto experiências inovadoras em sistemas agroflorestais e na meliponicultura, a criação de abelhas nativas sem ferrão, desenvolvidas com sucesso por comunidades locais na região de Caquetá (Colômbia). Essas iniciativas se destacam por conciliar de maneira exemplar a conservação ambiental, o fortalecimento da biodiversidade local e a geração de renda sustentável para as famílias. Tais modelos se consolidam como verdadeiras referências em bioeconomia e desenvolvimento sustentável, oferecendo lições práticas sobre como a Amazônia pode prosperar sem comprometer seus ecossistemas. O engajamento com essas práticas demonstra o potencial de replicação e adaptação para a realidade do Acre e de outras regiões da Amazônia Legal.

O secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, sublinhou a relevância da visita, particularmente por ter ocorrido no Dia Mundial das Abelhas. Ele enfatizou o papel irrefutável desses insetos na manutenção da biodiversidade global, principalmente por meio da polinização, e seu impacto direto no incremento da produção agrícola em sistemas integrados. “Trata-se de uma experiência muito relevante, que demonstra como é possível agregar valor à produção sustentável por meio da criação de abelhas nativas aliada à conservação ambiental”, pontuou Carvalho. O projeto visitado, que integra a educação ambiental e a conscientização sobre as mudanças climáticas, conta com aproximadamente 54 colmeias e projeta uma produção de cerca de um quilo de mel por colmeia. Esse modelo colaborativo e produtivo ilustra a viabilidade de práticas que harmonizam economia e ecologia, oferecendo um futuro promissor para comunidades florestais.

Ainda segundo o secretário Leonardo Carvalho, a participação ativa do Acre na GCF Task Force é estratégica para fomentar o intercâmbio de conhecimentos e a disseminação de boas práticas entre os estados e países que compõem a rede. Ele reiterou que a missão em Florencia (Colômbia) serviu como um palco importante para o Acre apresentar as diversas ações que vêm sendo implementadas pelo governo estadual nas áreas de mudanças climáticas, proteção ambiental e políticas dedicadas aos povos indígenas. Esse constante fluxo de informações e experiências é fundamental para o aprimoramento contínuo das abordagens e o fortalecimento das estratégias de conservação e desenvolvimento sustentável que impulsionam o progresso do estado. A troca de saberes reforça a capacidade do Acre de liderar em pautas ambientais e sociais na região amazônica.

Sinergia entre Governos e Comunidades: O Elo Essencial

A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Jarlene Gomes, reforçou a imperatividade da integração entre as esferas governamentais e as comunidades locais como um fator primordial para a solidez das políticas de conservação ambiental na Amazônia. “Essa visita de campo mostra que, para além da atuação dos governos, é fundamental fortalecer a integração com as comunidades, principalmente para contribuir com a construção e aprimoramento das políticas públicas e das estratégias subnacionais”, afirmou Gomes. Ela destacou a função crítica das abelhas nos sistemas produtivos agroflorestais e como a experiência colombiana evidencia que a conservação dos recursos naturais não apenas sustenta a produção de mel, mas também representa uma fonte complementar e vital de geração de renda para as famílias amazônicas. A perspectiva de Jarlene Gomes ressalta a importância de uma abordagem participativa e inclusiva para o desenvolvimento sustentável.

5 Pilares para um Futuro Sustentável na Amazônia Legal

A experiência do Acre na GCF Task Force em Florencia (Colômbia) reforça que o caminho para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal passa pela adoção de estratégias multifacetadas e integradas. Inspirado nos aprendizados compartilhados, o portal SETENTRIONAL.COM destaca cinco pilares essenciais para impulsionar a bioeconomia e a conservação na região:

<b>1. Investimento em Bioeconomia e Inovação:</b> Promover a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e processos baseados na biodiversidade amazônica, gerando valor agregado e oportunidades de negócios que respeitem os limites ecológicos. Isso inclui desde a farmacologia de extratos naturais até o ecoturismo e a produção sustentável de alimentos e insumos florestais.

<b>2. Fortalecimento da Agrofloresta e Meliponicultura:</b> Incentivar e expandir a adoção de sistemas agroflorestais (SAFs) e a criação de abelhas nativas (meliponicultura), que conciliam produção de alimentos, restauração de áreas degradadas, conservação da biodiversidade e geração de renda para agricultores familiares e comunidades tradicionais. Esses sistemas são modelos de resiliência e adaptação às mudanças climáticas.

<b>3. Integração de Comunidades Locais e Povos Indígenas:</b> Reconhecer e valorizar o conhecimento ancestral dos povos indígenas e das comunidades locais, envolvendo-os ativamente na formulação e implementação de políticas públicas e projetos de desenvolvimento sustentável. Eles são guardiões da floresta e possuem expertise insubstituível para a conservação.

<b>4. Intercâmbio de Conhecimentos e Boas Práticas:</b> Fomentar redes de colaboração entre governos, instituições de pesquisa, sociedade civil e setor privado, tanto em nível regional quanto internacional. O compartilhamento de experiências exitosas, como as observadas em Caquetá (Colômbia), é crucial para acelerar a curva de aprendizado e adaptar soluções inovadoras às realidades locais.

<b>5. Educação Ambiental e Conscientização:</b> Desenvolver programas contínuos de educação ambiental que alcancem todos os níveis da sociedade, desde as escolas até as comunidades e o setor produtivo. A conscientização sobre a importância da floresta, da biodiversidade e dos impactos das mudanças climáticas é a base para a mudança de comportamento e a construção de uma cultura de sustentabilidade.

A participação do Governo do Acre na GCF Task Force demonstra um compromisso contínuo com a busca por soluções inovadoras e a construção de um futuro mais verde e próspero para a Amazônia. As lições aprendidas em Florencia (Colômbia) servem como um valioso arcabouço para o aprimoramento das estratégias estaduais, reforçando a importância da colaboração internacional e do investimento em modelos que harmonizem o desenvolvimento econômico com a imperativa conservação ambiental. O caminho para uma Amazônia resiliente e produtiva passa, inegavelmente, por essas trocas e pela aplicação de práticas sustentáveis que valorizam seus recursos naturais e sua gente.

Para mais informações sobre as iniciativas de sustentabilidade e bioeconomia na Amazônia Legal, continue acompanhando as análises e notícias exclusivas do SETENTRIONAL.COM.

Fonte: https://agencia.ac.gov.br

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