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Cidades da amazônia sofrem com aumento da violência e domínio de facções

G1

Um estudo recente revelou um cenário alarmante na Amazônia Legal, com o aumento da presença de facções criminosas em quase metade das cidades da região. O levantamento, que analisou dados dos últimos três anos, identificou as 20 cidades mais violentas, expondo a complexa teia de fatores que alimentam a criminalidade na área.

A pesquisa dividiu os municípios em quatro categorias, de acordo com o número de habitantes, e considerou as taxas de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes para determinar as cidades mais afetadas. Entre os fatores que contribuem para a violência, destacam-se os conflitos entre facções pelo controle do crime organizado, a disputa por territórios estratégicos para o tráfico de drogas e a exploração ilegal de recursos naturais.

O Mato Grosso é um dos estados mais afetados, com seis cidades na lista das mais violentas. A região da Terra Indígena Sararé, com a presença de garimpeiros ilegais e facções criminosas, é um ponto crítico. A situação é agravada por dissidências internas em facções, como a Tropa do Castelar, e pela formação de grupos paramilitares por garimpeiros.

A lista de cidades expõe a diversidade de fatores que contribuem para a violência. Em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), a proximidade com a Bolívia torna a cidade um ponto estratégico para o tráfico de drogas. Já em Calçoene (AP), a BR-156 é utilizada como corredor para o transporte de entorpecentes. Cumaru do Norte (PA) enfrenta conflitos agrários, garimpo ilegal, presença de facções e desmatamento acelerado. Rio Preto da Eva (AM) é palco de disputas entre o PCC e o CV.

O estudo também revela que a presença de facções criminosas na Amazônia Legal aumentou significativamente, atingindo 45% dos 772 municípios da região. Em comparação com 2023, houve um aumento de 93% no número de cidades com presença de facções. O Comando Vermelho (CV) é a facção com maior influência, presente em 83% das cidades com atividades criminosas.

Além do CV, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras 15 facções foram identificadas na região, incluindo grupos locais e até organizações criminosas internacionais. A expansão das facções está ligada ao controle das rotas de tráfico de drogas e à exploração de atividades ilegais, como o garimpo ilegal.

A presença das facções varia de acordo com a localização geográfica. O Acre, que faz fronteira com o Peru e a Bolívia, tem presença de facções em todos os seus municípios. Já o Tocantins, que faz divisa com o Nordeste, tem uma presença menor de grupos criminosos.

O estudo também revelou outros dados preocupantes sobre a violência na Amazônia Legal, como o aumento dos conflitos no campo, o número elevado de feminicídios e o aumento dos casos de estupro, com grande parte das vítimas sendo crianças e adolescentes. Além disso, facções criminosas estão impondo regras comportamentais para mulheres e municípios sem policiamento se tornam zonas dominadas por criminosos. Apesar da queda no número de mortes violentas em 2024, os índices ainda são altos e superam a média nacional. Houve aumento na apreensão de drogas e o número de apreensões de cocaína pela Polícia Federal também cresceu significativamente nos últimos anos.

Fonte: g1.globo.com

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