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Calor extremo sufoca belém: moradores sofrem com temperatura recorde e desigualdade climática

G1

Belém, a capital paraense, enfrenta um cenário alarmante de calor extremo, com graves impactos na vida de seus habitantes. A cidade registrou, no ano passado, 212 dias de eventos de “extremos de calor”, o maior número entre as capitais brasileiras, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). As temperaturas atingiram picos de 37,3°C, superando as máximas registradas em anos anteriores.

Um estudo da Universidade Federal do Pará (UFPA), baseado em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), revelou que Belém já contabilizou, nesta década, 164 dias com temperaturas acima de 35,5°C, um evento classificado como calor extremo. Esse número é superior à soma dos dias de calor extremo nas seis décadas anteriores.

A situação é particularmente crítica em bairros como o Jurunas, onde a falta de áreas verdes agrava a sensação térmica. Ronald Monteiro, de 15 anos, relata a dificuldade de descansar em casa, devido ao calor intenso que persiste mesmo durante a noite. “É um calor insuportável, não tem como dormir, não tem como descansar, a gente perde o sono da tarde. O calor te degrada muito”, desabafa o adolescente.

A “desigualdade climática” se manifesta de forma evidente na cidade, com áreas arborizadas e mais frescas contrastando com ruas desprovidas de árvores, onde a população enfrenta condições muito mais severas. Dados do Censo de 2022 do IBGE apontam que Belém é a sexta capital brasileira com o maior número de pessoas vivendo em ruas sem nenhuma árvore.

Além do calor, a capital paraense também enfrenta o desafio da diminuição da cobertura vegetal. Entre 1985 e 2023, a perda de área de floresta foi de aproximadamente 20%, o que contribui para o aumento das temperaturas.

João Victor da Silva, conhecido como “João do Clima”, é um ativista que busca conscientizar sobre os impactos das mudanças climáticas na periferia de Belém. Ele relata a experiência de sua mãe, que faleceu em decorrência de um câncer de pele, e relaciona a doença com a exposição ao sol intenso e à falta de proteção.

O adolescente destaca a importância de políticas ambientais que considerem as necessidades das comunidades mais vulneráveis. Ele defende projetos de educação ambiental, plantio de árvores na periferia e o uso de “pavimentação ecológica” para reduzir o calor nas ruas.

O aumento das temperaturas também tem afetado a produção de açaí, um alimento básico na dieta dos paraenses. Ronald Monteiro, que ajuda o pai no comércio de açaí, observa que a qualidade da fruta tem diminuído, e os preços têm subido, impactando o orçamento das famílias.

Diante desse cenário, jovens como Ronald e João esperam que a COP30, realizada em Belém, traga soluções para enfrentar os desafios climáticos e promover a justiça social. Eles defendem que a voz da juventude amazônica seja ouvida e que medidas eficazes sejam implementadas para garantir um futuro mais sustentável para a região.

Fonte: g1.globo.com

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