Em um ato realizado na capital paulista, militantes de direitos humanos prestaram homenagem a Carlos Marighella, político, escritor e guerrilheiro, no dia em que se completaram 56 anos de sua morte. O grupo se reuniu na Alameda Casa Branca, local onde ficava o imóvel em que Marighella foi executado por agentes da ditadura militar em 4 de novembro de 1969, um ano após a decretação do AI-5.
O filho de Marighella, Carlos Augusto Marighella, compareceu à homenagem e expressou sua admiração por Clara Charf, uma das esposas de seu pai e também militante. Ele descreveu a convivência com Clara, que começou quando ele tinha aproximadamente sete anos, como um presente, destacando suas ações e palavras inspiradoras. “Eu nunca percebi em Clara uma única hesitação diante daquele mundo que ela queria construir, aquela política que achava necessária para construí-lo”, afirmou. Clara Charf faleceu recentemente, aos 100 anos.
Carlos Augusto Marighella, conhecido como Carlinhos, enfatizou a importância da manifestação anual para recordar o legado de seu pai: “É sempre um momento importante, porque meu pai foi assassinado covardemente, aqui nesta rua. Mas o fato é que ninguém se lembra mais dos criminosos que o mataram”. Ele acrescentou que o legado de Marighella continua vivo, inspirando a juventude a lutar por uma sociedade melhor.
Maurice Politi, do Núcleo de Preservação da Memória Política, descreveu Marighella como “um dos maiores guerreiros do povo brasileiro”, que lutou por um país mais justo e igualitário. “Lutou pela libertação deste país, por um país melhor, sem desigualdade, um país socialista. Marighella caiu neste lugar, foi assassinado barbaramente”, pontuou.
Carlos Marighella, considerado o inimigo número um da ditadura, foi deputado federal em 1946, mas teve seu mandato cassado por decisão do então presidente Eurico Gaspar Dutra. Em 1952, integrou a Comissão Executiva do Comitê Central do PCB e, no ano seguinte, foi enviado à China.
A primeira vez que Marighella foi torturado foi em 1936, quando teve seus pés queimados por maçarico. Permaneceu preso por um ano, até ser anistiado. Sua primeira detenção ocorreu em 1932, após criticar Juracy Magalhães, interventor de Getúlio Vargas.
Em julho de 1968, Marighella anunciou a Ação Libertadora Nacional (ALN), de resistência armada contra a ditadura. Em 1969, foi assassinado por policiais do DOPS/SP em uma emboscada, após descobrirem sua ligação com a ordem religiosa dos dominicanos. Ele morreu indefeso, atingido por vários tiros.
O filme “Marighella”, dirigido por Wagner Moura e estrelado por Seu Jorge, enfrentou censura durante o governo de Jair Bolsonaro. O longa-metragem só entrou no circuito brasileiro em 2021, após ter sido exibido em festivais importantes, como o de Berlim.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
