A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo federal, Gleisi Hoffmann, expressou críticas contundentes em relação ao posicionamento de governadores de partidos de direita. Segundo a ministra, esses governadores estariam fomentando a divisão no país e, consequentemente, alimentando discursos que abrem espaço para uma possível intervenção dos Estados Unidos na América Latina.
Gleisi Hoffmann defendeu que os governadores deveriam unir forças com o governo federal na busca por soluções que fortaleçam a segurança pública no Brasil. Ela mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18, conhecida como PEC da Segurança Pública, apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional.
Em suas redes sociais, a ministra declarou: “Ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC da Segurança enviada pelo presidente Lula ao Congresso, os governadores da direita investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”.
A crítica da ministra ocorre em um momento em que os Estados Unidos têm demonstrado movimentações militares no hemisfério sul, incluindo o posicionamento de navios no Mar do Caribe, próximo à Venezuela, sob o pretexto de combater o narcotráfico. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tem alegado que as ações dos EUA visam retirá-lo do poder.
Gleisi Hoffmann estabeleceu um paralelo entre o comportamento desses governadores e o do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde março. O deputado é acusado de promover sanções comerciais do governo americano contra o Brasil, defender a aplicação da Lei Magnitsky e a suspensão de vistos de ministros da Corte e membros do governo federal. “Não conseguem esconder seu desejo de entregar o país ao estrangeiro, do mesmo jeito que Eduardo Bolsonaro e sua família de traidores da pátria fizeram com as tarifas e a Magnitsky”, afirmou a ministra.
Ela também enfatizou a importância de tratar a segurança pública com seriedade, destacando que o combate ao crime exige inteligência, planejamento e a união de esforços.
Em contrapartida, sete governadores anunciaram a criação do Consórcio da Paz, um projeto de integração com o objetivo de trocar informações de inteligência, prestar apoio financeiro e de contingente policial no combate ao crime organizado. Os governadores presentes elogiaram os resultados de uma ação policial realizada recentemente no Rio de Janeiro, que resultou em um elevado número de mortes e apreensão de armamentos.
A PEC da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal, tem sido alvo de críticas por parte desses governadores, que argumentam que o texto retira a autonomia dos estados sobre suas polícias. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que o objetivo do governo federal é transferir as diretrizes gerais da segurança pública para o Ministério da Justiça, o que configuraria uma intervenção direta nas polícias dos estados.
A proposta do governo federal estabelece que a União seja responsável por elaborar a política nacional de segurança pública, cujas diretrizes seriam de observância obrigatória por parte dos entes federados, com a participação do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social. O governo federal, por sua vez, argumenta que a PEC mantém a autonomia das forças de segurança estaduais e distrital.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
