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Lucas Magalhães: Condenado em Caso Yasmin, Empresário Posta “deus É Fiel”

Belém, PA – O empresário Lucas Magalhães de Souza, figura central no caso Yasmin Fontes Cavaleiro de Macêdo, manifestou-se publicamente pela primeira vez após sua condenação pelo Tribunal do Júri de Belém. Na manhã desta quarta-feira (26), o empresário publicou em suas redes sociais a frase: “Deus é fiel!”. A declaração surge logo após o veredito que o sentenciou a 4 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal e disparo de arma de fogo. Contudo, Magalhães foi absolvido das acusações mais graves, relacionadas à morte de Yasmin e à fraude processual, e obteve o direito de recorrer da decisão em liberdade.

O caso que mobilizou a opinião pública no Pará, e teve repercussão em toda a Amazônia Legal, remonta a dezembro de 2021. Yasmin, estudante de Medicina Veterinária e influenciadora digital de 21 anos, desapareceu durante um passeio de lancha no rio Maguari, na região metropolitana de Belém. Lucas Magalhães era o proprietário e condutor da embarcação na ocasião. A investigação e o subsequente julgamento buscaram esclarecer as circunstâncias do desaparecimento e da morte da jovem.

A condenação atual, por porte e disparo de arma de fogo, é um desdobramento de elementos apurados durante a investigação. Apesar de absolvido das acusações de homicídio e fraude processual, a pena imposta ao empresário, incluindo 300 dias-multa, exige cumprimento em regime semiaberto, o que significa que ele deverá se apresentar periodicamente às autoridades e terá restrições de circulação, embora não seja recolhido imediatamente a uma prisão comum. O direito de recorrer em liberdade é uma concessão judicial que permite ao réu aguardar o julgamento de eventuais recursos sem estar detido.

Lucas Magalhães, que se apresenta como engenheiro em suas redes sociais, já possuía certa notoriedade no Pará antes mesmo do caso Yasmin. Ele é conhecido por empreendimentos ligados a equipamentos de som automotivo de grande porte. Um exemplo é o “Paredão L. Magalhães”, uma carreta de som que se tornou um ícone em eventos e praias da região, especialmente em Salinópolis, um dos destinos turísticos mais procurados durante o verão na Amazônia. Em julho de 2022, um incidente envolvendo o “Paredão L. Magalhães” atolado na praia do Atalaia, em Salinópolis, exigiu o uso de máquinas para sua remoção antes da chegada da maré, gerando ampla cobertura midiática.

A ligação de Magalhães com festas e eventos de grande porte também o colocou em evidência em outras ocasiões. Em julho deste ano, seu nome foi associado a uma ação judicial que visava coibir a realização de festas com paredões de som nas praias de Atalaia e Farol Velho, em Salinópolis. A Justiça estadual determinou multa diária de R$ 50 mil para o descumprimento da ordem, e o evento em questão foi identificado nos autos como “Paredão Magalhães”. Estes episódios demonstram a presença marcante do empresário na cena social e econômica do litoral paraense, contextualizando sua figura pública para além do trágico caso que o levou ao banco dos réus.

O julgamento no Tribunal do Júri de Belém durou vários dias e contou com a participação de advogados de acusação e defesa, além de testemunhas. A decisão do júri, composta por cidadãos sorteados para compor o conselho de sentença, reflete a interpretação dos fatos apresentados e a aplicação da lei aos crimes julgados. A absolvição das acusações de homicídio e fraude processual pode ser interpretada como a ausência de provas suficientes, segundo o entendimento do júri, para sustentar tais imputações. A condenação por porte e disparo de arma de fogo, por outro lado, indica que os elementos probatórios foram considerados suficientes para a configuração desses delitos. O caso Yasmin continua a ser um marco na discussão sobre segurança pública e responsabilidade em embarcações na região amazônica.

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