O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela segunda vez neste ano, um plano emergencial para conter o excesso de oferta de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN). A medida, válida das 11h às 13h30 deste domingo, visa preservar a segurança do sistema elétrico em um período de expectativa de menor demanda, especialmente em fins de semana. Embora a ação não afete diretamente os consumidores finais, ela impacta as distribuidoras de energia.
O plano emergencial direciona a restrição da geração de usinas do Tipo 3, que são aquelas conectadas diretamente às redes de distribuição. Este grupo engloba Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), usinas movidas a biomassa e empreendimentos de menor porte que utilizam fontes eólica e solar. Paralelamente, o ONS implementou ações complementares para reduzir a geração de usinas sob seu controle direto.
A primeira vez que o ONS precisou recorrer a este plano emergencial em 2024 foi em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi. Naquela ocasião, foi solicitada a gestão de 1.000 megawatts (MW) de geração entre 10h e 14h.
A regulamentação para o plano emergencial foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025, como resposta ao crescimento expressivo da geração distribuída, com destaque para a energia solar fotovoltaica. Um episódio marcante ocorreu em agosto de 2025, no Dia dos Pais, quando o excesso de energia gerado quase sobrecarregou o sistema. Naquela data, a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda total do país.
Para evitar um apagão que poderia afetar diversos estados, o ONS atuou reduzindo a produção de usinas hidrelétricas e termelétricas. Naquele momento, o corte atingiu 98,5% da geração eólica e solar de grande porte (centralizada).
Diante do cenário de expansão contínua da geração solar, o ONS anunciou na última quinta-feira (20) que está desenvolvendo um sistema automatizado para desligar partes da geração distribuída em situações críticas. Este novo mecanismo, denominado Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), prevê a capacidade de cortar até 3 gigawatts (GW) de energia em três estágios de 1 GW cada. O acionamento automático seria a última alternativa de controle, após esgotadas as demais.
Um projeto-piloto para testar o Erag está programado para ser realizado até o final de 2026, envolvendo uma distribuidora de energia. Caso os testes sejam bem-sucedidos, a implementação em larga escala poderá ocorrer a partir de 2027. A geração distribuída, que inclui micro e minigeração, soma aproximadamente 50 GW de capacidade instalada no Brasil. O ONS argumenta que o aumento dessas fontes descentralizadas eleva a complexidade operacional, uma vez que parte da energia gerada não é diretamente observável ou controlável pelo operador.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS para a execução do plano anunciado para este domingo. Contudo, a entidade solicitou procedimentos mais detalhados para a definição dos cortes, argumentando que critérios claros são essenciais para garantir segurança operacional e jurídica aos geradores, especialmente em uma região com grande potencial de geração distribuída como a Amazônia Legal, onde a diversidade de fontes e a capilaridade das redes exigem atenção.
