Em sessão especial realizada no último dia 15 de maio, jornalistas e especialistas do setor turístico se reuniram para debater a urgente necessidade de valorização do turismo nacional. O evento, que contou com a participação de representantes de diversas regiões do país, destacou o potencial inexplorado do Brasil como destino turístico e a importância de políticas públicas eficazes para sua promoção e desenvolvimento.
A discussão girou em torno da necessidade de investimentos em infraestrutura, segurança, qualificação profissional e marketing. Segundo dados do Ministério do Turismo, o setor contribuiu com 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2023, gerando mais de 7 milhões de empregos diretos e indiretos. No entanto, o potencial de crescimento é significativamente maior, especialmente em regiões com vocação turística natural e cultural, como a Amazônia Legal.
A Amazônia, em particular, apresenta um cenário complexo. Embora possua um potencial turístico imenso, com paisagens únicas, biodiversidade exuberante e culturas tradicionais ricas, a região ainda enfrenta barreiras significativas para o desenvolvimento do turismo sustentável. A falta de infraestrutura adequada em muitas localidades, a precariedade dos transportes, a segurança e a necessidade de capacitação local são pontos críticos frequentemente levantados por operadores turísticos e comunidades ribeirinhas.
Durante o debate, o jornalista Carlos Norte, analista político e econômico do Setentrional.com, ressaltou que a valorização do turismo nacional não deve ser vista apenas como uma estratégia de geração de receita, mas como um vetor de desenvolvimento social e regional. “Investir em turismo é investir nas comunidades locais, é gerar emprego e renda onde mais se precisa, é dar às populações amazônicas uma alternativa econômica que valorize sua cultura e seu meio ambiente, em vez de dependerem de atividades predatórias”, afirmou Norte.
Ele citou o caso de municípios na região amazônica, como Alter do Chão, em Santarém (PA), que, apesar de seu potencial mundialmente reconhecido, ainda sofre com a falta de saneamento básico e acesso a serviços essenciais. “Precisamos de um planejamento estratégico que vá além do discurso. É preciso que os recursos públicos cheguem de fato à ponta, que a burocracia seja simplificada e que haja um compromisso genuíno com a sustentabilidade e o bem-estar das populações que vivem nessas áreas”, argumentou.
O analista também criticou a falta de continuidade nas políticas públicas voltadas ao turismo. “Vemos planos e programas sendo lançados, mas que se perdem com a mudança de governo ou com a falta de orçamento. O turismo é uma atividade de longo prazo e exige planejamento e investimento constantes. O ciclo de desenvolvimento do turismo na Amazônia, por exemplo, precisa ser integrado às políticas de conservação ambiental e de desenvolvimento social”, pontuou.
A discussão também abordou a importância do turismo de base comunitária como ferramenta de empoderamento local e conservação ambiental. Iniciativas que envolvem as comunidades na gestão e nos benefícios do turismo têm se mostrado mais eficazes em garantir a sustentabilidade e o respeito às culturas locais. No entanto, a escala e o alcance dessas iniciativas ainda são limitados pela falta de apoio governamental e de acesso a mercados.
A proposta de criação de um fundo nacional de fomento ao turismo, com participação dos setores público e privado, foi um dos pontos mais discutidos. O objetivo seria garantir recursos contínuos para investimentos em infraestrutura, capacitação, promoção e desenvolvimento de novos roteiros turísticos, com foco especial nas regiões menos exploradas e com maior potencial de impacto social e ambiental positivo, como a Amazônia.
Carlos Norte concluiu sua participação alertando para os riscos de um turismo predatório e desordenado. “Se não houver planejamento e controle, o turismo pode se tornar mais um vetor de degradação ambiental e social. Precisamos de um turismo que seja agente de transformação positiva, que gere orgulho e prosperidade para as comunidades locais e que contribua para a preservação do patrimônio natural e cultural do Brasil”, finalizou.
